Não é só a qualidade de ensino nas escolas que deixa a desejar. A infra-estrutura também virou uma preocupação do Ministério da Educação. O estudo Geografia da Educação Básica mostrou que bibliotecas, laboratórios de ciências e quadras de esportes não são facilmente encontrados na maior parte das escolas públicas ou privadas de ensino fundamental do Estado.
O estudo realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep /MEC) mostrou que só 14,4% dos 585 mil estudantes capixabas têm acesso a laboratórios de ciência, 54,6% a quadra de esportes e 70,5% a biblioteca.
Um exemplo é a Escola Estadual Godofredo Schneider, localizada na Prainha de Vila Velha, que não possui quadra. “Não temos espaço para a construção. Solicitamos a transferência da unidade para o Vasco Coutinho mas não tivemos resposta”, disse a diretora Neuza Roncones dos Santos. A gerente de informações e avaliação da Secretaria Estadual de Educação (Sedu), Marluza Balarini, disse que os índices de abastecimento de água, energia elétrica e rede de esgoto são ótimos, mas que ainda precisam crescer em outros serviços. “Os dados são importantes para mostrar as deficiências e assim poder melhorar. Com relação aos laboratórios de informática e Internet são baixas, mas estão em crescimento. Dos 101 laboratórios de informática, 73 estão em escolas estaduais”.
Crescimento
O censo escolar do MEC mostrou ainda que aumentou o número de estudantes de 1ª a 8ª série no país desde 1997. Eram cerca de 32 milhões, hoje já são quase 38 milhões. “O problema é que a maior parte foi parar em prédios sem estrutura adequada e com poucos recursos para melhorá-las”, analisou o ministro da Educação, Cristovam Buarque. As diferenças regionais impressionam. Na Região Norte, mais de 15% dos estudantes estão em escolas sem energia elétrica. No Nordeste são quase 10%, enquanto no Sul e Sudeste praticamente 100% das escolas têm luz. O Sudeste tem maior acesso à Internet: 52% contra 4,8% no Norte.
Saiba Mais
No Brasil, em 1997, 24,2% dos estudantes estavam em escolas de ensino fundamental que tinham laboratórios de ciência. Em 2001, o número caiu para 19,2%. Há cinco anos, mais da metade dos alunos, ou seja 51%, tinha acesso a quadra de esportes. Em 2001, este dado caiu para 48,8%. A queda também aconteceu em relação às instituições com biblioteca, que em 2000 eram 58,4% e passaram para 55,6% em 2001.
Na Região Sudeste, as quedas também foram significativas. Em 1997, 70,5% das instituições de ensino tinham acesso a quadra de esportes. Já em 2001, esse número passou para 61,6%. Os estudantes que tinham acesso a biblioteca em 1997 somavam 9.763.981, o que representa 75%. Em 2001, 963.346 alunos passaram a não ter mais acesso ao serviço, caindo para 69,4%. Os laboratórios de ciências também tiveram uma queda, passando de 39,5% em 1997 para 30,3% em 2001.
No Estado, 54,6% dos alunos têm acesso a quadra de esporte, ficando acima apenas de Minas Gerais. Os dados de 1997 a 2001 cresceram, mas os números não são satisfatórios: 14,4% dos estudantes estavam em escolas com laboratórios de ciências e 70,5% com biblioteca.


