Dos 60.637 alunos que ingressaram no 1º ano do ensino fundamental em 1999 em unidades da rede estadual de ensino, apenas 43.038 estavam matriculados na 4ª série em 2002. Isso significa que nesse meio tempo nada menos do que 17.599 crianças abandonaram a escola em Goiás. Esses números estão refletidos nas taxas de abandono e reprovação do ensino fundamental regular, divulgados recentemente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) do Ministério da Educação (MEC), no relatório Geografia da Educação Brasileira. Embora os índices venham caindo no decorrer dos anos, os indicadores são considerados preocupantes.
“As taxas ainda são elevadas, mas houve uma redução significativa, principalmente na primeira fase do ensino fundamental, da 1ª à 4ª séries”, observa a secretária estadual de Educação, Eliana Maria França Carneiro. Ela cita os números do Censo Escolar de Goiás: em 1998, 15,9% dos alunos do ensino fundamental desistiram da escola e, em 2001, esse número caiu para 13,3% Já na publicação do Inep é citado o índice de 18,8%.
“Ainda não foi possível analisar a metodologia da pesquisa, mas o Censo Escolar alimentou esse relatório. Censo esse que foi tabulado pelo próprio Inep”, frisa a secretária. A diferença pode ser explicada pela inclusão de outros dados na publicação, obtidos junto ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Acelera
A Secretaria Estadual de Educação (SEE) vem apostando no sucesso de três programas para reduzir as taxas de evasão e repetência, que causam a distorção entre idade e série, apontada por pesquisas nacionais e internacionais como um dos principais problemas da educação brasileira. As avaliações mostram que o estudante em atraso escolar tem desempenho inferior aos alunos que estão em séries próprias à idade. Em Goiás, esse problema afeta 42% dos estudantes do ensino fundamental e 61% daqueles matriculados no ensino médio.
Entre esses programas da Educação estadual está o Acelera Goiás. Iniciado em 1999, o programa voltou-se para alunos da 1ª à 4ª série, com duração de um ano. Mas os técnicos da SEE perceberam que muitos alunos não eram sequer alfabetizados e foi necessário criar o Se Liga Goiás para ensinar essa clientela a ler e escrever. Para Eliana França, o Acelera Goiás cumpriu o seu papel e será encerrado no final deste ano. Continuará o Acelera Goiás 2, que começou em 2001, dura dois anos, é voltado para os estudantes de 5ª à 8ª série e será mantido até o final da segunda administração do governador Marconi Perillo.


