Escola cearense promove igualdade racial

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A Escola Municipal Leão Sampaio, de Juazeiro do Norte (CE), é a única escola considerada modelo entre as 63 instituições públicas de ensino fundamental da cidade. Desenvolvendo um trabalho pioneiro desde 2000, com atendimento integral ao aluno das 7h30 às 17h30, enquadra-se nos parâmetros da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Lá se utiliza o sistema de ciclos, interdisciplinaridade e transversalidade. “Ela é perfeita para os alunos de baixa renda, por conseguir tirá-los da rua e envolvê-los com mil atividades, além do aprendizado formal”, diz a secretária de Educação Municipal, Maria Santa Martins.

A Leão Sampaio está localizada no centro da cidade, mas a maioria dos seus alunos mora na periferia. Durante os cinco dias úteis da semana, a garotada, que cursa da 1ª à 4ª série, cumpre o mesmo ritual: estuda pela manhã e, à tarde, participa de oficinas de informática, vídeo, arte, teatro, dança e música. Os alunos têm direito a atendimento odontológico, quatro refeições diárias, fazem o trajeto casa/escola/casa em um ônibus da prefeitura, e participam dos inúmeros projetos implantados pelos professores ao longo do ano. Um dos locais mais procurados pelos alunos é a biblioteca da escola, e a freqüência às aulas de arte é altíssima. Para a diretora Irinéia Sheila Menezes, essa predileção é compreensível: “A biblioteca é toda enfeitada e gostosa, e as professoras de arte fazem trabalhos maravilhosos com as crianças”.

Igualdade – Uma pintura na parede da escola, mostrando crianças de todas as raças, e a escolha de uma aluna negra para coroar a padroeira da cidade numa tradicional festa religiosa despertaram a atenção de Waléria Menezes, uma pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco, que visitou Juazeiro em maio de 2002. Waléria, que está desenvolvendo uma pesquisa sobre o preconceito racial no ambiente escolar, resolveu entrevistar as 46 crianças negras que estudavam na Leão Sampaio e promover uma oficina com os professores sobre o tema de seu trabalho.

Segundo a pesquisadora, depois da oficina, os professores passaram a se preocupar mais com a condição e o cotidiano desses alunos. “As propostas dos professores para melhorar a vida dessas crianças foram as mais criativas e diversificadas”, afirmou. Elas passaram a ocupar cada vez mais lugares de destaque em eventos da escola e foram feitos cartazes censurando o preconceito racial.

A Leão Sampaio atende às exigências da Escola Ideal, movimento lançado pelo MEC em 2003 em prol da redução das desigualdades sociais e pelo fortalecimento da democracia a partir da qualidade na educação. A iniciativa visa promover a melhoria integral da educação, em obediência à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e contribuir para a realização da metas do Plano Nacional de Educação.

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