Um grupo de 90 índios das aldeias de Feijoal e Filadélfia, do Município de Benjamin Constant (a 1.116 quilômetros de Manaus), serão os primeiros protagonistas da experiência pioneira bancada pelo Governo do Amazonas: garantir ensino médio às comunidades indígenas do Estado, uma população de aproximadamente 38 mil pessoas.
Sintonizado com a realidade e os costumes das diversas etnias existentes, a nova grade curricular terá como enfoque o desenvolvimento sustentável, como forma de estabelecer mecanismos para a melhoria da qualidade de vida desses grupos. A implantação do ensino médio nas aldeias de Benjamin Constant acontecerá ainda no mês de abril, durante as comemorações pela passagem do Dia do Índio, próximo dia 19.
De acordo com o projeto-referência definido pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc), com a consultoria do Ministério da Educação, o nível médio de ensino será estendido para todas as regiões. E começa pelo Alto Solimões, onde está concentrado o maior número de etnias do Estado, com uma população em torno de 25 mil indígenas, entre tikunas e kambebas.
A decisão de garantir a continuidade de ensino – atualmente as aldeias têm acesso apenas ao ensino fundamental – foi orientada pelas próprias comunidades, em pesquisas realizadas pela Seduc. O princípio do projeto é o de preservar as especificidades de cada etnia, segundo a Secretária de Educação, Rosane Marques. “Todo o projeto as orientações passadas por cada um dos grupos, do ordenamento arquitetônicos das escolas à metodologia de ensino”, detalhou.
A instalação do ensino médio nas aldeias é parte de outras quatro ações a serem implementadas pelo Governo do Estado. Também estão previstos no projeto a construção e reformas de escolas, a capacitação de professores e a publicação de material didático específico.
Já está acertada a reforma da escola Almirante Tamandaré, na aldeia Umariaçu, situada no Município de Tabatinga (a 1.105 quilômetros de Manaus). Também será reformada a escola de Cucuí, em São Gabriel da Cachoeira, que abriga 300 alunos de etnias como baniwa, baré e tikuna. No total, a rede de escolas índigenas mantida pelo Estado abrange 631 estabelecimentos que atendem uma média 30 mil alunos. Um corpo docente de 1.400 professores, índios e não-índios, atende especificamente essa clientela. Ainda este mês, o Governo do Amazonas pretende reativar o projeto Piraiauara, de capacitação dos professores da rede de escolas indígenas, paralisado há mais de um ano.
No dia 7, começa o curso de capacitação de 52 professores que atuam nas comunidades de Laranjal, Borba, e das tribos sateré-mawe e mundurucu. Além de outros 47 professores das aldeias apurinã, torá e murá existentes no Município de Manicoré (a 333 quilômetros de Manaus). O Estado conta um total de 547 professores atuando nas aldeias, conforme dados da Seduc.


