Educação sexual: Projeto

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As escolas municipais de Ourinhos, no interior de São Paulo, criaram um programa diferente de prevenção à gravidez na adolescência: cerca de dois mil alunos vivem a experiência de cuidar de um recém-nascido durante alguns dias.

Em Ourinhos, no interior de São Paulo, as escolas municipais desenvolvem um projeto de educação sexual inusitado. Os estudantes da 5ª à 8ª séries foram divididos em casais e receberam a missão de cuidar de um “filho adotivo”: um pintinho.

Como qualquer recém-nascido, as aves exigem atenção o tempo todo – inclusive durante as aulas. Os alunos não podem deixar os filhotes em casa para os pais tomarem conta.

“É quase igual uma criança, tem que cuidar, tem que ficar olhando e tudo”, conta Fabio Lucas, de 14 anos. “Dá um pouco de trabalho, mas é muito legal”.

Os pintinhos ficam em caixas ao lado da carteira de cada aluno, para que os “pais” possam checar se eles estão limpos e alimentados.

Gabriela Ono levou tudo tão a sério que arrumou até roupa para o bichinho. “É para esquentar à noite, quando ele for dormir. Minha avó fez uma roupinha pra esquentar o corpinho dele”, mostra.

Em casa, a rotina de Thami Antunes, também de 14 anos, mudou completamente com a presença do filhotinho. Até na hora das lições ele fica ao seu lado. “Cansa, porque ele dá trabalho”, confessa. “Tem que pôr água toda hora, porque ele derruba, e comida… é toda hora mesmo, não pode descuidar”.

“Teoria é uma coisa, prática é outra. Com isso, eles vão ver a dificuldade que vão encontrar no caso de uma gravidez não planejada”, acredita a coordenadora do programa.

A experiência com as aves realmente é um choque para a garotada. Em três meses de experiência, 80% dos alunos devolveram os bichinhos aos professores. “Ah, é muita responsabilidade com a idade que a gente tem, e eu não quis assumir muito essa responsabilidade”, justifica Alessandra Lopes, 14 anos.

Segundo o ministério da Saúde, uma em cada cinco grávidas brasileiras é adolescente. Por isso, projetos como esse são fundamentais, dizem os educadores. “Estamos vivendo num mundo em que a sexualidade está muito avançada, muito precoce. É um projeto que vai ajudar na conscientização deles, para que eles pensem que a sexualidade é uma coisa boa, mas que exige responsabilidade”, afirma a psicopedagoga Manoela Cabral.

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