Três em cada dez estudantes das escolas estaduais mineiras terminam a 4ª série sem condições de compreender um texto curto, como um cartaz divulgando uma campanha contra a dengue ou informando o dia da vacinação. É o que revelam os dados preliminares, divulgados ontem, do Sistema Mineiro de Avaliação (Simave), que analisou a capacidade de leitura e compreensão de textos de cerca de 465 mil estudantes das 4ª e 8ª séries do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio. Embora 46,1% dos alunos da 4ª série apresentem um desempenho considerado suficiente para continuar os estudos, os dados revelam que pelo menos 4,1% são completamente analfabetos e 9% têm um conhecimento cristalizado compatível com a faixa etária. Na 8ª série, esse índice é de 5,1% e no 3º ano, de 5,2%.
A avaliação apontou que a proficiência média dos alunos da 4ª série é de 192. Na 8ª, a média é de 242 pontos e no ensino médio, de 272, numa escala que varia de 100 a 375 pontos e mede as competências em leitura adquiridas pelos estudantes ao
longo da escolarização, como a capacidade de ler, compreender e fazer uso de textos, argumentar e defender idéias. O ideal é que os alunos da 4ª série fiquem acima dos 225 pontos, embora a média de 200 pontos seja aceitável. Na 8ª série, o desempenho esperado é de 275 pontos e no 3º ano, de 300 pontos.
Os dados não são diferentes dos observados em 2001. Apenas na 8ª série houve um decréscimo importante, cujas causas não foram ainda identificadas, já que o questionário sócio-econômico e o perfil dos alunos serão analisados somente em março. Em todas as outras séries, houve regiões onde o nível dos estudantes melhorou e outras onde aconteceu o inverso. Por isso, a média foi praticamente a mesma de 2000. Já na 8ª série, em todas as regiões o nível caiu. Pode ser um reflexo da regularização do fluxo, que permite que mais alunos cheguem até a 8ª série sem que suas deficiências sejam contempladas , acredita o coordenador do Simave, Manuel Palácios, do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade
Federal de Juiz de Fora (UFJF). O percentual de estudantes na faixa crítica de conhecimento diminui com o aumento da escolaridade. Enquanto 32% dos estudantes da 4ª série têm desempenho comprometedor, no 3º ano do ensino médio a porcentagem de estudantes nessa situação cai para 23,3%. Isso não significa que a escola ensina melhor para os estudantes mais velhos. Segundo Manuel Palácios, embora os dados não sejam conclusivos, há duas possíveis explicações para o fenômeno. A primeira é a exclusão natural dos alunos com maior dificuldade. Esses 32% em situação crítica na 4ª série tendem a abandonar a escola, porque um aluno que não dá conta nem de ler não acompanha uma 5ª série. Além disso, é esperado que com o passar do tempo na escola, o aluno vá aprendendo mais , avalia. Para o secretário de Estado da Educação, Murílio Hingel temos que considerar positivo o fato de que não houve queda significativa entre os dois anos, o que poderia ser esperado, já que cada vez mais as classes mais pobres têm direito à escolarização.