BRASÍLIA – A área social do governo ganhou um reforço de peso: o ministro da Fazenda, Antônio Palocci Filho. Tanto documentos divulgados pela Fazenda como os recentes discursos do ministro apontam uma reorientação da visão dos problemas do País. Agora, é ordem no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: a questão social é um problema econômico.
<P>Para Palocci e sua equipe, a redução da pobreza e uma distribuição de renda menos desigual são precondições para fazer a economia crescer de maneira sustentada. É uma visão diferente da de seus antecessores, que tratavam a melhoria nas condições de vida da população como uma conseqüência da prosperidade econômica.
<P>Essa nova abordagem da questão social foi apresentada pela equipe econômica pela primeira vez, em detalhes, no documento “Política Econômica e Reformas Estruturais”, um texto de 95 páginas que sintetiza a linha de ação da área econômica do governo Lula. Foi quando Palocci passou a reforçar o assunto nos discursos.
<P>Essa perspectiva, de que melhorias no social são pré-requisitos para o desenvolvimento econômico, permeou os discursos do ministro nas reuniões com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial e nos diversos encontros que teve com investidores, analistas de mercado e acadêmicos, na semana passada, nos Estados Unidos.
<P>Orientado pelo presidente, Palocci dirá cada vez com mais freqüência que os gastos com educação e saúde, por exemplo, devem ter um aproveitamento melhor. Sua preocupação com o social, porém, não necessariamente se traduzirá em mais recursos para os programas dessa área.
<P>A avaliação da equipe econômica é que o problema não é quantidade de dinheiro, mas a forma como é gasto. “A disponibilidade de recursos não é o principal gargalo”, diz o documento da Fazenda. “No Brasil, a despeito de se ter praticado uma ampla política social ao longo das últimas décadas, o que consumiu mais de 15% da renda nacional, o grau de desigualdade permaneceu essencialmente inalterado no período, devido à ausência de melhorias no grau de focalização.”
<P><B>Central </B>- A equipe de Palocci coletou evidências que países onde a distribuição de renda é mais uniforme são mais resistentes a choques externos como os que sacudiram o Brasil nos últimos seis anos. “O enfrentamento dos problemas sociais deve ser visto como parte central do programa econômico do governo e não como componente adicional, constituindo-se em fator fundamental para a retomada do crescimento em bases sustentáveis e socialmente mais justas”, disse Palocci, em almoço oferecido pela Câmara de Comércio dos EUA, na semana passada.
<P>A melhoria na educação, por exemplo, passou a figurar nos discursos do ministro como um componente do crescimento da economia. O documento “Política Econômica e Reformas Estruturais” informa que 40% da desigualdade na distribuição de renda do País é explicada pela falta de escolaridade.

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