Diretora ´caseira´ combate o vandalismo

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A professora Sandra Ulsan cuida até do jardim da escola. (Katiê Müller)

A diretora da Escola Estadual Dona Branca do Nascimento Miranda, no bairro Tingui, em Curitiba, tomou uma medida radical contra o vandalismo que atingia o colégio. Sandra Costa Ulsan decidiu deixar seu apartamento e mudar-se com o marido e seus dois filhos para cuidar da instituição. Em seis meses de sua gestão um vídeo foi roubado, a cantina arrombada e os muros pichados. A decisão, tomada em agosto do ano passado, deu resultado: desde então nenhum ato de vandalismo foi registrado.

Acumulando a função de caseira, os finais de semana, as férias e até as saídas noturnas da diretora ficaram comprometidas. “Não tenho como sair e deixar a escola sozinha. Este ano meus filhos foram viajar com os avós”, diz. Mas ela alega que o esforço compensa. “Não tem nada mais triste para um professor do que ver o seu local de trabalho destruído”, conta.

A diretora também encontrou compensações pessoais em morar no colégio. “Antes meus filhos ficavam dentro do apartamento enquanto eu estava na escola, agora posso almoçar todos os dias com eles e meu marido acompanha meu trabalho”, diz.

Para se mudar, Sandra precisou da autorização da Secretaria de Educação do Estado. Ela assinou um termo de compromisso garantindo que não pediria ressarcimento pelas benfeitorias que fez com recursos próprios no imóvel que antes era ocupado pelo caseiro. Sem contratar vigias, sobrou dinheiro para investir em outras áreas da escola.

Outra vantagem financeira, apontada por Sandra, é que ela pôde colocar em prática seu projeto como diretora que é envolver cada vez mais a comunidade no dia-a-dia da escola. “Como estou aqui nos finais de semanas, posso receber os pais que estão dispostos a ajudar”, diz.

Com o trabalho voluntário, os recursos repassados pelo governo do estado acabam rendendo mais. Um exemplo, foram as cortinas colocadas em todas as salas do colégio. Os tecidos foram comprados com recursos públicos. As mães costuraram e os pais instalaram. “Sem a colaboração dos pais teríamos condições de colocar cortina apenas em uma sala”, conta a diretora. As iniciativas voluntárias também renderam economias que possibilitaram reformas na cantina, na sala de arte, no grêmio estudantil e até a realização da pintura interna e externa do colégio.

“O governo dá o espaço físico, mas cabe a nós conservá-lo. Colaboramos porque sabemos que isso será revertido aos nossos filhos”, explica a mãe Cecília Mayeves, presidente da Associação de Pais e Mestres.

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