Desafios na Educação

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Sergio Amaral
Cristovam (com o futuro chanceler Celso Amorim): missão de dobrar a escolaridade média dos brasileiros
 

 A distribuição de uniformes e material escolar, adotada na administração da prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, será repetida em nível nacional pelo futuro governo Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com a coordenadora de orçamento da equipe de transição, Gleisi Hoffmann, já estão reservados recursos no Orçamento de 2003 para iniciar um programa-piloto.

  Lula explorou o programa de Marta na campanha. Uma cena da prefeita cercada de crianças com uniforme vermelho foi repetida várias vezes na campanha. O programa nacional terá início modesto. Mesmo assim, pode se tornar um dos exemplos da política que Lula pretende implantar para a geração de empregos. Seu caráter social não vai se resumir ao esforço assistencialista de distribuir roupas, cadernos e livros para os estudantes.

  “Em vez de uma grande licitação para a compra de uniformes, a idéia é fazer com que cada localidade entre em contato com uma cooperativa de costureiras’’, explica Gleisi. A descentralização dessas ações já vinha sendo testada pelo governo Fernando Henrique na compra da merenda escolar. A descentralização da compra dos uniformes segue essa linha. Além disso, a confecção dos uniformes pelas cooperativas, além de garantir o material mínimo para os estudantes, ajudará a gerar empregos.

  ‘‘Cada convênio desses vai parecer uma coisa desprezível, insignificante. Mas, a médio prazo, pode significar uma grande mudança no quadro de desemprego do país’’, explica ela.

  A área de Educação, a ser comandada pelo ex-governador do DF Cristovam Buarque é, aliás, centro de várias metas do futuro governo. Uma delas é dobrar a média de anos de estudo da população. Hoje, essa média é de quatro anos. Cristovam terá como desafio passar para oito anos. Em seu discurso, o próprio presidente eleito foi direto ao falar dos desafios da Educação, com uma crítica velada ao atual ministro da área, Paulo Renato Souza: ‘‘Não basta dizer que todas as crianças estão na escola. É preciso dizer que qualidade de ensino essas crianças recebem’’, comentou Lula.

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