Dos 399 municípios do Paraná, 45 não possuem escolas com ensino gratuito para portadores de necessidades especiais e em 117 esse atendimento é feito somente pela rede regular de ensino, onde os professores ainda não foram preparados adequadamente. O panorama alarmante foi revelado por um diagnóstico da Secretaria de Estado da Educação, realizado no início deste ano.
Segundo a responsável pelo setor, Angelina Carnela Romão Mattar Matiskei, o levantamento indicou ainda que nas outras 237 cidades do estado que têm escolas especiais, o número de vagas é insuficiente e por isso existem listas de espera.Um exemplo de instituição que tem fila é a Sociedade Ecumênica de Curitiba. A entidade oferece 75 vagas para pessoas que apresentam múltiplas deficiências, mas possui uma lista de espera com 70 nomes. No setor de Educação Infantil da escola a situação é semelhante: são 70 crianças de zero a seis anos estudando e 35 na lista de espera.
Investimentos
A chefe do Departamento de Educação Especial da Secretaria de Educação atribui o quadro preocupante à falta de investimentos tanto do governo federal e estadual como das prefeituras, já que, no seu entender, essa deve ser uma obrigação compartilhada. “Eu trabalho na área há 19 anos. Sabia que a situação era difícil, mas não imaginava que chegasse a tanto”. Ela cita o exemplo de municípios onde o atendimento especializado inexiste e por isso, até de forma irregular, os pais são obrigados a transportar as crianças para cidades vizinhas. “Em alguns casos os alunos ficam mais tempo na estrada do que na escola. Isso é extremamente prejudicial para eles.”
Hoje no Paraná, 53.900 crianças e adolescentes com necessidades especiais são atendidos em escolas especiais conveniadas ao governo do estado (64% do total) e na rede regular do ensino. Angelina Matiskei considera que o número de alunos atendidos por essas instituições é muito pequeno, tendo em vista que, segundo levantamentos da Organização das Nações Unidas, 10% da população mundial possui algum tipo de deficiência. “No Paraná, portanto, estamos falando de um número de pessoas portadoras de necessidades especiais superior a casa de 900 mil.” Mesmo que parte dessa demanda seja atendida na rede particular, Angelina diz que ainda há um universo muito grande de pessoas sem assistência adequada.


