O mau rendimento escolar de crianças e adolescentes é um assunto que preocupa os pais e costuma deixá-los sem saber como enfrentar a situação. A psicóloga Wanda Maria Junqueira, vice-presidente do Conselho Regional de Psicologia, alerta para o fato de que o problema, às vezes, pode não ser do aluno, mas da instituição escolar ou do professor.
“Na maioria dos casos, a escola chama o pai e diz que o filho tem problemas de aprendizagem. Isso é aceito sem questionamentos. O pai passa a achar que a criança é burra, que não tem capacidade para acompanhar os estudos”, afirma ela. Wanda diz que isso acontece principalmente em escolas públicas.
Ela chama a atenção também dos psicólogos que acompanham esse tipo de caso. “Antes de começar a tratar a criança, o psicólogo precisar verificar se o problema está nela ou na escola. Por isso, é necessário avaliar o trabalho educacional, conversar com o professor, em vez de simplesmente concordar com a tese de que o aluno é que tem dificuldades.”
Se for diagnosticado que é a instituição que está produzindo o fracasso escolar, o psicólogo deve ajudar a desenvolver uma relação melhor entre professor e aluno ou analisar e tentar alterar a organização e a dinâmica educacional da escola.
Na opinião da psicóloga, os pais e a escola não podem inferiorizar a criança, fazer com que ela se sinta excluída do resto do grupo. “Isso só piora a situação. O importante é tentar ajudá-la a superar as dificuldades, sem cobranças.”


