Cuiabá – Alunos terão que fazer baldeação até a escola

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A queda de pontes e a precariedade das estradas não impedirão mais o início do ano letivo em nove comunidades da região do Coxipó do Ouro, na zona rural de Cuiabá. Os cerca de 400 alunos da escola rural Nossa Senhora da Penha de França vão assistir às primeiras aulas do ano já na próxima segunda-feira. Ainda que, para isso, tenham de atravessar riachos a pé.

As aulas deveriam ter começado no dia 10 de fevereiro. Porém, desde outubro do ano passado o tráfego na estrada principal está prejudicado pela queda de uma ponte próxima à localidade de Arraial dos Freitas. Outra passagem de veículos, improvisada com manilhas e aterro, precisa ser refeita pelos próprios moradores a cada nova enxurrada.

Em reunião na tarde de ontem com a Secretaria Municipal de Educação, a diretora Sílvia Maria dos Santos Stering apresentou uma estratégia emergencial para que o ano letivo não fique ainda mais prejudicado. O ônibus e as três kombis à disposição da escola transportarão as crianças e adolescentes por meio de baldeações a cada novo “obstáculo”.

Com isso, a maior parte dos alunos matriculados este ano poderá ter de enfrentar a travessia de pelo menos um pequeno curso d’água. “É claro que, se houver qualquer risco para as crianças durante este processo, iremos abortá-lo”, assegurou a diretora. “Queremos voltar a funcionar dentro das condições normais, mas tomando todo o cuidado”.

Ao Diário, alguns pais de alunos demonstraram preocupação com a alternativa encontrada. “Quando chove forte, isso aqui vira um rio de repente. O pessoal fica preocupado com as crianças atravessando”, aponta o lavrador Adilson Rodrigues.

Pai de duas das alunas prejudicadas com a falta de aulas, ele se diz revoltado com a situação. “Eu sempre gostei de ver minhas filhas estudando e fiquei muito contrariado com essa história. Não quero que terminem como eu, que trabalho em terra dos outros”.

Sua mulher, Rosangela Lobo, conta que chegou a pensar em mandar as filhas para estudar em Várzea Grande. Ela temia que, permanecendo na região, elas perdessem o ano letivo. “Elas nunca ficaram atrasadas com a escola. Só que nenhuma quis sair daqui”, relata. “Mas aqui já tem muito pai levando os filhos para estudar na cidade”.

“A situação é de desespero mesmo”, afirmou Célia Cristina, mãe de outra aluna da escola. “São várias dúvidas que me vêm à cabeça: será que vai haver aula? E, caso haja mesmo, como será o aprendizado nestas condições? O pior é que estamos esperando há quatro meses por uma solução da prefeitura”.

A reportagem do Diário não conseguiu localizar o secretário municipal de Obras, Marcelo Oliveira. À reportagem da TV Centro América, ele primeiro informou que a prefeitura não tinha recursos para executar qualquer reparo. Depois, disse ter obtido uma verba suplementar que garantiria o início do processo de licitação das obras já na próxima semana.

Durante a reunião, a diretora disse ter ficado satisfeita com os encaminhamentos prometidos. Mas espera que sejam suficientemente rápidos para que as medidas de emergência não tenham de se estender por muito tempo. “Existe um ponto com aterro que não agüenta mais chuvas fortes. Esperamos que a ajuda chegue antes disso”.

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