Com um discurso metafórico e sempre fazendo alusão a 25 de março – data de aniversário da libertação dos escravos no Ceará – o ministro da Educação Cristovam Buarque expôs o novo projeto de educação do Governo Federal em audiência realizada terça,25, na Assembléia Legislativa.
Para ele, o povo ainda continua na escravidão e a alfabetização é uma forma de libertação. Contudo, reconheceu a limitação orçamentária e cobrou uma maior participação da sociedade na aprovação do orçamento de 2004 (em outubro) a fim de que mais recursos possam ser destinados ao setor.
A iniciativa da audiência partiu da Comissão de Educação, Cultura e Desporto da Assembléia, presidida pelo deputado Artur Bruno. O plenário ficou lotado de representantes de entidades, educadores, estudantes, parlamentares, prefeitos e vereadores.
Ao iniciar sua fala o ministro disse que o principal legado que o Governo Lula deixará para as próximas gerações é completar o processo de abolição do povo – oferecendo educação – para que de fato seja libertado.
Ressaltou ainda que a República precisa ser efetivamente implantada. ‘‘A educação brasileira mostra que esse não é ainda um país republicano’’, ressaltou. Ele falou das desigualdades entre ricos e pobres em termos de investimentos na educação e disse que a luta é por igualdade de direitos e de oportunidades entre todos os cidadãos.
O ministro revelou que os três principais eixos da educação brasileira serão oferecer uma educação de qualidade desde a infância, passando pela universidade, bem como erradicar o analfabetismo entre os adultos.
Se o Governo Fernando Henrique alfabetizou 3,5 milhões de brasileiros, a proposta de Lula é mais ousada: fazer com que nos próximos quatro anos 20 milhões de brasileiros aprendam a ler e a escrever.


