Conferencistas criticam globalização da cultura

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Um dos temas debatidos na manhã do dia 23 na IV Conferência Nacional de Educação e Cultura, que acontece na Câmara, foram os efeitos da globalização na cultura brasileira. Na opinião do professor da Universidade de São Paulo (USP) Emir Sader, é preciso impedir a transformação da cultura em mercadoria. Segundo ele, isso seria feito com investimentos na produção cultural pública, que é baseada em critérios democráticos e educacionais.

Sader acredita que a globalização prejudica a manifestação da diversidade popular. “Todas as culturas nacionais que não são grandes produtores de indústria cultural são prejudicadas. Mesmo em nível nacional, o caráter público da cultura fica prejudicado, porque essa cultura é produzida em maior volume pelas indústrias privadas que escolhem o que produzir. Ela não abrange a diversidade cultural brasileira, atende mais a interesses de marketing, publicidade e financiamento”, assinala o professor da USP.

O músico Naná Vasconcelos, que também participou do debate, concorda com Emir Sader. Naná criticou o que classificou como americanização da cultura nacional e a falta de apoio para o desenvolvimento da cultura no País. Como solução, ele sugeriu que as novelas brasileiras e os aeroportos só toquem músicas nacionais.

Papel do Governo
O Governo, segundo a representante do Ministério da Cultura, Isaura Botelho, deve tratar a cultura como tema relacionado à vida e à cidadania, e não apenas como entretenimento. Cultura, na opinião dela, é um elemento fundamental para o desenvolvimento do País. Para que isso aconteça, no entanto, segundo ela, será necessário fechar parcerias com outros ministérios.

O deputado Chico Alencar (PT-RJ), que também participou do evento, defendeu a atuação da Câmara dos Deputados na preservação da cultura brasileira. “A Câmara é, por definição, a casa da pluralidade. A Câmara dos representantes do povo é, por definição, a raiz brasileira. Nós temos aqui as diferentes culturas e não só os diferentes sotaques. Nós temos a obrigação, como Poder Legislativo nacional, de zelar pela língua, por todas as manifestações materiais e simbólicas do nosso povo, pela brasilidade, pela idéia de que o melhor do Brasil é o brasileiro”, disse.

Projetos de lei e seminários são, de acordo com o deputado, instrumentos eficazes para atingir esses objetivos.

A Conferência Nacional de Educação e Cultura foi aberta ontem e segue até sexta-feira (25). Promovida pela Comissão de Educação e Cultura, o encontro tem como objetivo analisar, no âmbito do Poder Legislativo, políticas públicas para as duas áreas.

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