No remoto vilarejo de Sarangpur, no estado de Punjab, Índia, as crianças estão tendo a chance de entrar na era da informática através de um centro móvel de aprendizado.
Os alunos estão recebendo noções básicas de computação – o que é um computador, para que serve, quais são as partes da máquina, suas funções, e como usar o teclado e o mouse.
“Nós aprendemos as funções iniciais de um computador. Na verdade é uma máquina eletrônica através da qual podemos mandar e receber cartas”, disse o aluno Kamar Kumar.
Nas cidades maiores da Índia, como Bombain, a informática não é nenhuma novidade. Um dos maiores consultores em Tecnologia da Informação do país, Vijay Mukhi, disse que os jovens indianos vêem o estudo da informática como passaporte para uma carreira lucrativa. Mas ele crê também que as escolas indianas fazem seus alunos acreditarem que dominam os conhecimentos sobre a tecnologia mas que a verdade pode não ser bem essa.
“Esqueça as escolas, vamos olhar para as empresas indianas”, diz Mukhi. “Muitas ainda usam o DOS, que até a Microsoft já esqueceu. Então, obviamente, muitas escolas ensinam sobre softwares obsoletos”.
Mesmo que alguns indianos estejam aprendendo técnicas em desuso, há varias evidências mostrando que o sistema está funcionando. Algumas indústrias estimam que o mercado de exportação de softwares da Índia movimente até 8 bilhões de dólares por ano. Alguns analistas prevêem que esse montante triplicará até 2007.
Sid Khanna, da firma de consultoria Accenture, é um dos que mais incentivam esse crescimento. Ele está ajudando a aumentar o número de empresas de tecnologia no país atraindo investimentos do Oriente. Ele acredita que pouco importa se alguns indianos não estão aprendendo as técnicas mais avançadas da informática. Mais importante é que eles se sintam habituados a usar o computador.
“O fato é que dois milhões de indivíduos se formam por ano na Índia”, disse Khanna. “Alguns deles se graduam com conhecimentos avançados sobre computadores. Há milhares de escolas que oferecem cursos de informática especializados para corresponder à demanda e aos interesses de companhias globalizadas. Então há uma parte da população que conhece as técnicas mais atuais”.
Na Europa, os governos estão tentando garantir que as crianças aprendam as tecnologias de ponta desde cedo. O Kings College, na cidade inglesa de Guildford, é uma das escolas mais informatizadas do mundo. A tecnologia da informação é incorporada a cada lição, incluindo longas aulas no laboratório de computação. Os alunos usam computadores por cerca de um quarto de seu dia de aula em todas as matérias. Por exemplo, se você quer analisar as informações coletadas em um experimento químico, você pode fazer através do computador.
Métodos tradicionais de ensino ainda têm lugar. Mas para alunos que possuem computador em casa, os apontamentos são enviados pela Internet. Os alunos podem ir direto ao site da escola e procurar informações sobre a matéria dada. Para aqueles sem um PC, o laboratório de computação fica aberto às tardes.
“A primeira escola que dirigi, no fim dos anos 80, tinha apenas uma TV e um vídeo, talvez um projetor de 16mm, um computador e provavelmente umas pouacs máquinas de escrever no escritório”, disse David Crossley, diretor do Kings College. “Era um mundo totalmente diferente há apenas 17 anos atrás. É incrível o nível da mudança”.
É uma história semelhante a de muitas salas-de-aula dos Estados Unidos. Testes de leitura computadorizados são apenas um dos resultados de 38 bilhões de dólares investidos na última década para trazer a tecnologia da informação para as escolas. Mas muitos pesquisadores temem que o dinheiro seja mal empregado.
“Muito do uso dos computadores se limita ao processamento de textos, planilhas e à navegação na Internet”, disse Jan Plass, do programa de educação da Universidade de Nova Iorque. “Nada do que realmente só se pode fazer com um computador. Estamos usando uma nova tecnologia de maneira antiga e ao menos que esse panorama mude eu não espero grandes mudanças no sistema educacional, certamente não nos resultados dos exames”, disse Plass.
Em vários níveis a tecnologia está mudando a maneira como as crianças aprendem por todo o mundo. O desafio para os educadores é garantir que onde quer que seus alunos estejam eles sejam parte da revolução da informática.
Fonte: BBC News
Tradução: Leandro Cerqueira


