Cometa Educãção alfabetiza adultos no Mato Grosso

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Preocupado com o índice de 14,1% de analfabetismo em Cáceres, no Mato Grosso, o empresário Francis Maris Cruz, diretor-presidente do Grupo Cometa – formado por 11 concessionárias Honda de motocicletas, duas revendas Volkswagen de automóveis, quatro autopeças e um hotel -, decidiu intervir nesta realidade. Em 2000, junto com professores da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Mato Grosso (Unemat), o empresário criou o Programa de Educação de Jovens e Adultos Cometa Educação, que alfabetiza jovens e adultos da cidade em suas próprias casas.

Segundo a professora e coordenadora do projeto, Eliane Lázari, o Cometa Educação é um programa simples e de baixo custo, que possui resultados muito positivos. “As alfabetizadoras são bolsistas e os núcleos de estudos são formados nos bairros onde os alunos residem. As aulas acontecem em suas residências ou em algum espaço cedido pela comunidade, o que evita gastos com aluguel, luz, água, compra de materiais e pagamento de salários para faxineiras, guardas e secretárias”, explica Eliane.

A Unemat é responsável pela elaboração e execução do projeto, enquanto o Grupo Cometa é o criador e financiador da iniciativa. “Cada aluno custa, em média, cerca de R$ 17,00 por mês, o que é barato se compararmos com outros projetos de educação realizados no Brasil”, conta Eliane.

Aulas em casa

O programa iniciou, em caráter experimental, há dois anos, em um bairro carente de Cáceres. “No nosso sistema de ensino não existe evasão e sim inclusão. Iniciamos o Projeto com apenas 50 alunos e acabamos atendendo 123 no primeiro ano de desenvolvimento”, lembra o empresário Francis Maris Cruz. “Levar o professor até o aluno, no horário que ele pode ter aula, diminui a evasão”, diz.

As aulas de alfabetização acontecem de segunda a quinta-feira, durante duas horas e meia. “Formamos grupos de estudos pequenos, com uma média de cinco alunos. Procuramos desenvolver nas aulas as necessidades do público-alvo, atendendo a realidade de cada bairro. Também aprofundamos temas como vida, trabalho, ambiente e cultura”, explica Eliane. “No ensino convencional, o aluno adulto divide a sala de aula com jovens e se sente excluído. No Cometa Educação, ele fica mais motivado, pois aprende coisas de seu interesse e acompanha as aulas com amigos e vizinhos da mesma idade”, acredita a professora.

Às sextas-feiras os alunos do programa participam de atividades variadas, como seminários sobre saúde, cursos de capacitação e atendimento psicológico. “Não apenas alfabetizamos, mas também ajudamos a resgatar a auto-estima e a cidadania destas pessoas. As preparamos para o mercado de trabalho, incluindo aulas de artesanato e fabricação de doces caseiros, por exemplo”, conta Cruz.

Educação continuada

Um dos resultados mais comemorados pela equipe de alfabetizadoras do Cometa Educação foi o fato de alguns alunos formados terem dado continuidade aos estudos. “É muito gratificante ver que estes adultos, que já não tinham esperanças de voltar para a sala de aula, se sentem motivados a continuar seus estudos depois de passarem pelo nosso programa. E esta capacitação também fez com que muitos deles conseguissem empregos e aumentassem a renda da família”, comemora Eliane. A maioria dos alunos tem entre 35 e 45 anos. “Mas temos alunos com mais de 80 anos também”, completa a professora.

Segundo a coordenadora do Cometa Educação, o acompanhamento do programa é realizado por meio da elaboração de relatórios, encontros pedagógicos com as alfabetizadoras e conversas informais com os alunos. “As aulas são melhoradas de acordo com as necessidades apontadas pelos próprios alunos”, diz. “Nossa próxima etapa é avaliar o impacto que a metodologia provoca em Cáceres e analisar se ela pode ser realizada em outras localidades”, adianta Eliane.

Do começo do projeto até hoje, 423 jovens e adultos já participaram das aulas do Cometa Educação e 173 se formaram no curso de alfabetização. Atualmente, o Cometa Educação está presente em nove bairros carente de Cáceres. “O nosso objetivo é reconstruir a cidadania dos moradores de Cáceres e pretendemos atender cada vez mais jovens e adultos analfabetos”, diz a professora Eliane. “Buscamos contribuir para a melhoria da qualidade de vida das pessoas, proporcionando aos mais necessitados e sem condições sócio-econômica uma vida mais digna”, finaliza Cruz.

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