Colégio público no Estado precisa de uma revolução

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A professora Maria Dativa de Salles Gonçalves, do programa de Mestrado em Educação da Universidade Federal do Paraná, faz parte de uma legião de profissionais brasileiros que se orgulham de serem frutos da escola pública. “Tudo o que aprendi foi na rede pública, onde tive colegas que também se tornaram profissionais de alta qualificação”, diz. Hoje, trajetórias como a dela infelizmente são raras. A educação financiada pelo Estado perdeu qualidade e não são poucas as famílias que fazem sacrifícios para manter os filhos em escolas privadas, acreditando que de outra forma o futuro estará comprometido.

Para tentar reverter essa situação, esta semana, a Secretaria de Estado da Educação recebeu um documento que equivale a um diagnóstico da situação da escola pública no Paraná sob a ótica de uma boa parte de seus “atores”. Trata-se da pauta de proposições elaborada pelo Fórum Paranaense em Defesa da Escola Pública, Gratuita e Universal, formado por representantes de mais de 300 entidades, entre escolas, sindicatos, associações, órgãos do próprio governo, secretarias municipais e outras. A julgar pela extensão das propostas, a escola pública no Estado precisa de uma revolução.

“Desde o início dos anos 90, a política educacional brasileira, e no Paraná particularmente, foi pautada por uma racionalidade quase empresarial, que sacrificou a qualidade”, diz a professora Maria Dativa, integrante do fórum e uma das defensoras mais aguerridas da escola pública no estado.

“O último governo foi um desastre para a escola pública. Medidas como a quase extinção dos cursos Normal de nível médio e a progressão continuada sem qualidade destruíram um patrimônio construído em muitos anos”, diz um dos coordenadores do Fórum, o professor Miguel Baez.

Boa parte das propostas apresentadas pelo Fórum já foi incluída em outras pautas, apresentadas aos governos anteriores. A novidade agora é que muitas das pessoas que ocupam postos-chave na Secretaria da Educação participaram do Fórum desde sua criação, em 1990, e são alinhadas com sua linha de pensamento.

“Pela primeira vez em muitos anos, temos um canal de comunicação aberto e acreditamos que vamos avançar bastante”, diz a secretária-geral do Fórum, Ana Lorena de Oliveira Bruel.

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