| Antônio Carlos Moreira | |
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Um dos desafios que se coloca na educação de todo o País é a redução do índice de analfabetismo. Mesmo tendo registrado redução considerável no último censo, a falta de acesso à educação preocupa o ministro da Educação, Cristovam Buarque.
Ele foi convidado pelo governador para visitar o Ceará. Mas a data da visita ainda não está definida.
Dados recentes do Relatório ‘‘Situação da Adolescência no Brasil’’, do Unicef, revelam que 1,1 milhão de adolescentes brasileiros de 12 a 17 anos (5,2%) não sabem ler ou escrever. O Ceará registra no mesmo relatório um analfabetismo de 9,9% nessa faixa etária, o que corresponde a 101.459 adolescentes sem acesso às letras. A população total de pessoas nessa faixa é de 1.024.844.
No referido relatório, o município cearense de Granja aparece entre as 50 localidades brasileiras com os piores indicadores. De uma população de 6.865 pessoas na faixa etária de 12 a 17 anos, 32,4% são analfabetos, ou seja, 2.224 pessoas por algum motivo não tiveram acesso à educação. A população total do município é de 48.484 habitantes.
O Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou uma redução de 32,2% no índice de analfabetismo do País. Um dos responsáveis pela queda, conforme relatório do IBGE, foi o Programa Alfabetização Solidária.
Tendo iniciado no Ceará com a adesão de apenas dois municípios, o programa destinado a alfabetizar jovens e adultos conseguiu nos últimos cinco anos levar para a sala de aula 130 mil pessoas em 183 municípios cearenses.
Em cada uma das localidades há em média 50 alfabetizadores capacitados, o que pode resultar em 73 mil pessoas alfabetizadas em um semestre. Os cálculos não são mágicos, garante Cândido B.C. Neto, educador popular há três décadas e pró-reitor de extensão da Universidade Estadual do Ceará (Uece). A Uece responde hoje pelo acompanhamento de 48 dos 183 municípios cearenses.
Cândido B.C. Neto afirma que o Estado tem uma reserva de educadores capacitados que pode em poucos anos mudar a situação do analfabetismo no Estado, desde que todos os esforços sejam direcionados para o programa. ‘‘As universidades têm como elaborar um projeto junto à sociedade civil e prefeituras para deixar o índice de analfabetismo em patamares regulares em quatro anos’’, assegura.


