Canabrava/ BA – Jovens trocam trabalho no lixo pela sala de aula

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Projeto Criança Canabrava/ BA inaugura sede feita de tijolos e telhas ecológicos

O fim do lixão de Canabrava/ BA, transferido para o aterro sanitário na Estrada CIA/Aeroporto, significou uma mudança radical para o bairro e seus moradores. Foi o fim de uma história ligada ao mau cheiro constante e o começo da recuperação ambiental da região. Para os moradores, principalmente as quase mil pessoas que sobreviviam de catar detritos no aterro para vender, resultou na abertura de novos horizontes.

No período da mudança, em 1997, com 8 anos, Jucimary Bispo dos Santos participou ativamente do processo transformador. Sua vida estava ligada ao trabalho dos badameiros, pois seus avós, e depois os pais, tiravam o sustento do lixo. Enquanto os pais disputavam os detritos com urubus e outros animais, ela ficava em casa e, às vezes também participava da atividade.

Atualmente com 16 anos, Jucimary é uma das 95 crianças e adolescentes que participam do Projeto Criança Canabrava, que integra o Parque Socioambiental do bairro, inaugurado o ano passado pela prefeitura. Ela faz parte do grupo que ingressou no projeto em 1997, sendo levada por sua mãe, que de badameira se tornou uma associada da cooperativa que faz triagem de material reciclável.

“Desde que entrei no projeto minha vida mudou completamente”, afirma a adolescente, de olhos grandes e vivos. Está na 6ª série do ensino fundamental e sonha em ser advogada. As histórias de Jucimary estarão presentes na inauguração da nova sede do projeto, na manhã de segunda-feira, com a participação de autoridades como o prefeito Antonio Imbassahy e o secretário municipal de Serviços Públicos, Jalon Oliveira.

Construída com tijolos e telhas ecológicas, o novo espaço permitirá a continuidade do trabalho para a formação da cidadania e o resgate da auto-estima dos jovens, filhos de famílias de baixa renda do bairro e de outros com características semelhantes.

Oficinas culturais na ressocialização

A coordenadora do Criança Canabrava, assistente social Cristina Novais, informa que o projeto atuou na ressocialização das crianças, isso porque a maioria não freqüentava a escola. Participaram também de oficinas culturais, pedagógicas e semiprofissionalizantes que  prosseguem até hoje. Entre as mais recentes, estão as de percussão, bijuterias, pintura de parede, corte e costura, pedreiro, instalação
hidráulica. Além disso, diz Cristina, os jovens são levados a se  integrar à vida sociocultural da cidade, visitando museus, exposições de artes plásticas e assistindo a peças de teatro.

Segundo a assistente social, no início, o grupo era composto de 330 crianças e adolescentes, que ao completarem 18 anos foram sendo incorporados ao mercado de trabalho. Do atual grupo, cerca de 70% moram no bairro, que hoje se chama Nossa Senhora da Vitória e outros residem em Sete de Abril, Pau da Lima, São Marcos e Nova Brasília. A iniciativa foi pioneira no País e serviu de modelo para o governo federal deflagrar a campanha “Criança no lixo nunca mais”, lembra a coordenadora. No segundo ano, o reconhecimento também veio por intermédio do prêmio Criança e Paz Betinho, do Unicef.

A nova sede, que integra o Parque Socioambiental, possui oito salas, um espaço multiuso, que deve permitir a ampliação do número de vagas para os jovens e a inclusão da oficina de informática, informa a coordenadora. A casa foi construída com tijolos ecológicos a partir de uma mistura de barro e cimento e tem telhas de papelão revestido com fibra.

O pagamento das bolsas dos jovens e a sua manutenção continuam sendo de responsabilidade da Limpurb, juntamente com as empresas da área da limpeza urbana, como a Vega, Torre e Jotagê. Já os sete instrutores são pagos pelo Instituto de Ação Comunidade, ligado à prefeitura, segundo Cristina Novais. Além do Criança Canabrava, integram o Parque Socioambiental, a Unidade de Triagem, a Unidade de Compostagem e a Usina de Biogás.

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