Campo Grande – Oito mil alunos estão sem merenda

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Na Escola Maria Lourdes Areias, no Conjunto Rouxinóis, os 1.200 alunos estão sem receber merenda. A diretora, Ana Maura Flauzim, diz que não havia providenciado a compra de alimentos porque a Secretaria de Educação ainda não tinha feito o repasse dos recursos, calculado na base de R$ 0,13 per capita refeição. A Secretaria contesta. O repasse estaria atrasado por falta de documentação da APM (Associação de Pais e Mestres) entidade responsável pela gestão dos recursos.

Na escola o clima é de revolta pela falta de merenda. “Estou tendo de gastar diariamente R$ 2,00 para as despesas com lanche na cantina”, afirma dona Zuleide Barbosa, mãe de dois filhos, ambos alunos na Escola Maria de Lourdes.

Outras escolas

Também estão sem recursos para merenda as escolas Teotônio Vilela, Amando de Oliveira, Amélio de Carvalho Baís, Luisa Vidal Borges Daniel, Olinda Conceição Teixeira Bacha, Dolor Ferreira de Andrade e Marçal de Souza.

Na escola Teotônio Vilela, no conjunto Universitária, os estudantes ainda estão recebendo merenda porque ainda há alimento remanescente do estoque do ano passado. O diretor da escola Milton Cardoso Sobrinho está revoltado com a medida tomada pela Secretaria de Educação, de suspender os repasses.

Ele admite que a escola deve uma a prestação de conta referente à compra de R$ 2.510,12 alimentos. Teria havido desvio de verba da merenda, fraude de responsabilidade da ex-diretora, Ana Meire. “É injusto os alunos serem punidos por um erro da gestão anterior”, reclamou o diretor.

“Não acredito que vamos ficar sem merenda, é imprescindível uma boa alimentação na escola”, avalia o estudante Claudinei Fernandes, de 15 anos.

Atraso

As escolas estaduais iniciaram o ano letivo sem merenda. Só dois dias depois de iniciadas as aulas, o Ministério da Educação comunicou que empenhou os recursos para a compra da merenda referente ao mês de fevereiro. Foram repassados R$ 671 mil, dos quais, R$ 200 mil, apenas para atender as escolas municipais de Campo Grande. Na Reme (Rede Municipal de Ensino) da Capital as escolas têm merenda porque a Prefeitura tinha um saldo dos recursos de 2001.

Segundo a Secretaria Estadual de Educação, o MEC garante o repasse mensal de R$ 0,13 per capita para atender as despesas com a merenda. Este ano, com a mudança de governo, troca de ministros, o processo de liberação atrasou. Em 2002, foram gastos R$ 5,9 milhões com merenda, que atenderam 227 mil alunos do ensino fundamental.

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