Caldas Novas e Rio Quente acabam com o analfabetismo em 2004

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Rio Quente e Caldas Novas, municípios turísticos goianos próximos de Goiânia e de Brasília, estão perto do analfabetismo zero. A primeira cidade registra taxa média de analfabetismo de 8,5% e a segunda, de 8,3% — menores que os índices de Goiás (11,9%), e do País (13,6%). Os dados, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referem-se a 2000.

As duas cidades são conhecidas por suas águas quentes (média de 37,5 graus), fontes termais do Rio Quente descobertas pelo bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva. O turismo é responsável por 80% da economia de Rio Quente, com 2.067 habitantes, que recebe um milhão de turistas por ano, em média. Os outros 20% provêm da agropecuária (gado de corte e leiteiro). Os proprietários de terras, no entanto, estudam a criação de cooperativas com a intenção de investir no turismo rural. Em Caldas Novas, a participação do turismo na economia chega a 100%. Em 2000, de acordo com o IBGE, a cidade contava com 49.642 habitantes.

“Só não atingimos a meta de 100% de alfabetizados porque a migração é uma constante”, diz a secretária municipal de Educação de Caldas Novas, Gisélia Custódio. A de Rio Quente, Dorotéia Arantes, enfrenta a mesma dificuldade: “A cidade cresce muito e muitas pessoas vêm para cá em busca de trabalho, principalmente os migrantes nordestinos”. Ela está negociando com os empresários da construção civil uma maneira de levar esse pessoal às salas de alfabetização. “Até julho, eles serão incorporados”, garante.

Incentivo — Dorotéia conta que, dos 120 alfabetizandos em Rio Quente, 50 são idosos. Resistentes, foram cooptados com cestas básicas. “Isso funcionou como incentivo”, afirma. “Agora, eles já podem assinar a carteira de identidade”. Ela diz que, os recém-alfabetizados são incentivados pela prefeitura a concluir o curso fundamental. Para erradicar o analfabetismo, a secretaria trabalha com os programas Brasil Alfabetizado, do MEC, Vaga-Lume, Universidade Federal de Goiás e Alfabetização Solidária.

Em outubro de 2003, Caldas Novas contava com apenas 166 pessoas que não sabiam ler nem escrever. A secretaria vem trabalhando com as organizações não-governamentais Alfabetização Solidária e Vaga-Lume desde 2001. O programa Brasil Alfabetizado chegou à cidade no ano passado. Todos os professores são graduados em Pedagogia. As duas cidades orgulham-se de não ter crianças acima de quatro anos fora da escola.

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