Buarque defende as novelas

Picture of undime

undime

 “Nenhum galã de novela se destaca e consegue arrumar namorada porque é estudioso. Só arruma namorada (em telenovela) o sarado”, disse. “O estudioso e o alfabetizador devem ser os heróis.” Em palestra, ontem, para professores de uma escola privada de Brasília, Cristovam reclamou que as casas dos ricos das telenovelas não têm estantes com livros e sugeriu que as personagens ricas ensinem as empregadas a ler e a escrever.

Menino no Recife, onde nasceu, Buarque não perdia as radionovelas, segundo seu relato. A última novela que gostou de acompanhar na televisão foi “O Clone”, exibida pela Rede Globo. O folhetim abordou o consumo de drogas pelos jovens. “Assisti a tudinho”, contou. O ministro disse que conversou com a autora da novela, Glória Perez, sobre a possibilidade de as novelas contribuirem para tornar a educação uma “mania”.

Com capacidade para 160 pessoas, o auditório do Instituto de Educação Integral (INEI) estava lotado. Cristovam Buarque também reclamou do pouco incentivo dado ao teatro e à música nas escolas. Segundo ele, a escola básica “freou”, por exemplo, o esporte, tornando a Educação Física um “negócio chato”. Ao mesmo tempo, não acompanhou o processo de “erotismo precoce” que atingiu as crianças. “Erotismo é para aprender na vida adulta; na escola, a gente tem de deixar de ter medo do erotismo”, sustentou.

Infâmia – Na avaliação do ministro, é preciso buscar formas de aumentar os investimentos na escola pública e considerou uma “infâmia” o fato de filhos de classe média passarem em média 15 anos na escola e os de classe baixa, quatro anos. Pelas contas dele, um filho de classe média gasta cerca de R$ 300 mil da pré-escola à conclusão da universidade, ao passo que esse gasto não ultrapassa R$ 3 mil no caso dos estudantes pobres.

No próximo dia 31, Buarque se afastará temporariamente do Ministério da Educação para assumir uma cadeira no Senado. Ele pretende, no rápido tempo que permanecer no Legislativo, apresentar um projeto de lei sobre formação de professores do ensino básico. Sem dar detalhes da proposta, o ministro disse que é preciso promover ações emergencias para o setor.

Notícias recentes

Assine nossa newsletter