Assentados baianos são alfabetizados

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Cerca de 1.440 jovens e adultos de assentamentos situados em 23 municípios de Camamu, no baixo sul, a Mucuri, no extremo sul do Estado, serão beneficiados com a implantação de 72 classes de alfabetização, do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera).

O trabalho é feito em parceria pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). E envolve 57 projetos de assentamentos do Movimento de Luta Pela Terra (MLT), Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag), Cooperativa dos Produtores Agroecologistas do Sul da Bahia (Coopasb) e do Pólo de Unidade Camponês de Camamu (Puc).

Monitores do curso, capacitados pela Uesc, segundo o pró-reitor de
Graduação, Décio de Santana, faz esse trabalho como uma das metas de ajuda a combater a exclusão social e educacional. Ele destaca que, em municípios de até 10 mil habitantes, no Nordeste, 57% das pessoas estudaram menos de 4 anos. “Mudar esse quadro é responsabilidade de todos nós”, afirma o professor. A Uesc tem outros programas contra a exclusão educacional, como os de acesso e de permanência na universidade, recentemente aprovado pelo Consep.

A professora Alba Lúcia Gonçalves, diretora do Departamento de Ciências da Educação e coordenadora administrativa do Pronera, na Uesc, diz que é necessário assegurar aos jovens do campo o direito a ter escolaridade como qualquer outro jovem brasileiro. Depois da alfabetização, começa a etapa da escolaridade da 5ª à 8ª série, prevista para o primeiro semestre deste ano. Alba Lúcia anunciou também a criação do curso normal médio, que beneficiará 60 jovens assentados que já tenham o ensino fundamental completo. O objetivo é formar professores que compreendam, vivenciem e lutem pela filosofia da pedagogia da terra. Na opinião da professora Alba Lúcia, “para se ter uma reforma agrária decente é preciso ter bons programas de educação”.

Fernando Vargens, chefe da Unidade Avançada do Incra, no Sul da Bahia, destaca que o objetivo maior do Programa Nacional da Reforma Agrária é com as famílias assentadas e sua relação com a sociedade em sua volta. “Sem educação, não tem como avançar na reforma agrária, que tem papel fundamental para a criação de uma nova política de desenvolvimento da região”, diz Vargens. Do baixo sul ao extremo sul baiano, segundo o chefe da unidade do Incra, já são mais de 6 mil famílias beneficiadas por 126 projetos de assentamentos. Quatro novos projetos devem ser implantados, mas há cerca de 8 mil famílias acampadas às margens das estradas, à espera de uma área onde possam trabalhar.

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