Dos 503 mil 570 alunos com necessidades especiais, matriculados no ano de 2003, 29% já são atendidos em classes comuns da rede regular de ensino. Os demais 71% estão matriculados em classes especiais e escolas especializadas, afirmou ontem, 19, a secretária de Educação Especial do MEC, Cláudia Dutra, no lançamento do programa Educação Inclusiva: Direito à Diversidade.
Segundo ela, alguns municípios podem se orgulhar de contar, hoje, com um bom sistema de educação inclusivo, e acrescentou que em muitos outros municípios estão sendo colocadas em prática iniciativas no sentido de promover um nível mais alto de inclusão.
Dos 61 milhões de crianças e adolescentes de 0 a 17 anos, apontadas pelo censo do IBGE de 2000, 2,9 milhões apresentam algum tipo de deficiência.
O censo indica que o número de crianças com deficiência fora das escolas é mais que o dobro do número de crianças normais que não estão na escola; e que o número de crianças com deficiência não alfabetizadas é o dobro das crianças sem deficiência não alfabetizada.
“Essas crianças são excluídas e segregadas. Todo nosso esforço será voltado para a sua inclusão”, disse Cláudia, para os cerca de 300 professores e gestores que até sexta-feira, 21, estarão debatendo as diretrizes do programa em Brasília, para a construção de sistemas educacionais inclusivos em todo o País.
A secretária afirmou entender a escola como espaço privilegiado de vivência e desenvolvimento humano. “Ela nos desafia a nos realizar como pessoas. Para isso é preciso uma escola que tenha coragem para criar, bem como questionar o que está posto, em busca de rumos inovadores, necessários à inclusão”, concluiu.
Um dos conferencistas, professor Antonio Carlos do Nascimento Osório, presidente do Fórum Nacional de Coordenação de Pós-Graduação em Educação, lembrou que a tarefa do momento é a educação na diversidade para a diversidade.
Segundo ele, a aprendizagem é individual e isso deve ser radicalmente
respeitado. “A diversidade só poderá ser compreendida quando aprendermos a lidar com a diferença”, explica. O professor acredita que o conceito da escola inclusiva está atrelado ao conceito de democracia, no qual sociedade e Estado, juntos, têm a responsabilidade pela inclusão.
Ao comentar as metas do programa de disseminar nos municípios brasileiros a política de educação inclusiva, Osório afirmou que esse é o ápice do processo histórico de construção de um sistema educacional inclusivo iniciado pelo Brasil na última década, ao se tornar signatário de várias declarações internacionais neste sentido.


