Ações paralelas para combater analfabetismo

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Acauã (PI) – O anúncio em uma emissora de rádio oferecendo um “prêmio” de 100 reais para quem conseguir se alfabetizar em três meses atraiu moradores de Acauã – onde 70% da população é analfabeta, segundo o IBGE – para o Analfabetismo Zero, parte do programa Fome Zero. Há mais de uma semana, 480 alunos divididos em 24 turmas estão aprendendo a ler e a escrever.

Eles ganham caderno, lápis e merenda. Em troca, mostram empenho. O curso foge do bê-á-bá – ninguém soletra, as palavras são ensinadas inteiras, há muita dinâmica de grupo e exercícios criativos. “Estão adorando, ninguém falta”, comemora a professora Silvana Maria de Freitas, que leciona numa das cinco turmas da área urbana e integra o comitê gestor do Fome Zero.

O objetivo é capacitar o aluno a escrever um pequeno texto, uma frase que seja. Gente que não sabe pôr no papel nem o próprio nome e outros que têm noção, mas não conseguem escrever palavras inteiras estão juntos na empreitada. Os que sabem um pouco são orientados a ajudar quem sabe menos.

Maria de Jesus Rodrigues, de 43 anos, que assinava com o dedo, está desenhando o nome, copiando. “É um avanço”, estimula a professora. Maria diz se sentir diminuída, humilhada por não saber ler. A filha mais velha, de 17 anos, já a chamou de ignorante. Ao saber do curso, decidiu arriscar. “Pode ser dessa vez”, afirmou, confessando que nunca tinha tentado matricular-se em outros cursos oferecidos pelo Comunidade Solidária, do governo passado.

Secundário

Poucos admitem que o dinheiro fez a diferença. Não é o caso de Deoclécio Júlio de Lima, de 43 anos e 5 filhos. Ele e a mulher se matricularam no Tanque de Cima, na zona rural. “Nunca tinha tido interesse, o dinheiro ajudou.” Francisca de Sousa, de 25 anos, agricultora, uma das mais estudiosas, garante que o dinheiro, mesmo bom, é secundário. “Quero continuar estudando depois, quero melhorar de vida”, afirma.

Silvana divide o entusiasmo com os alunos. “A gente aprende muito, é outro conceito de ensino.” O professor do Analfabetismo Zero ganha, no fim do curso, 100 reais por aluno alfabetizado. “Eles só ganham se aprenderem e eu só ganho se eles aprenderem.” (Agência Estado)

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