48% dos professores não têm acesso a computador

Picture of undime

undime

A professora de Português e Francês da Escola Estadual João Barbalho Joana d’Arc Neves, 41 anos, nunca navegou na Internet. Também não sabe usar computador, embora reconheça a importância da Informática na formação dos alunos e na sua atualização como docente. Ela faz parte do grupo de 48% dos educadores brasileiros que não utilizam computador e dos 49% que não acessam a Internet. Realidade mostrada pela pesquisa Retrato da Escola 3, divulgada ontem, em Brasília, pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e que indica a necessidade urgente de os governos incluírem a valorização dos docentes como política pública.

“Garantir educação de qualidade sem valorizar o professor é uma balela. É preciso adotar uma política salarial decente. Apesar de importante, não adianta investir em infra-estrutura e em gestão democrática, por exemplo, sem dar ao professor tranqüilidade para que possa preparar uma boa aula, sem ter que assumir vários empregos ao mesmo tempo”, observa o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), Fernando Melo.

A pesquisa mostra também que a falta de tempo ou de dinheiro impede, muitas vezes, a ida dos docentes ao cinema ou ao teatro. Também que leiam livros. “Só tenho lazer quando sobra dinheiro no fim do mês. Como isso quase nunca acontece e como o preço dos ingressos do cinema é alto, prefiro gastar com alimentação”, afirma Joana d’Arc. Como a professora participa de grupos de teatro, fica mais fácil assistir a apresentações do gênero.

Outra conclusão do estudo realizado pela CNTE é que há uma progressiva diminuição do ingresso de profissionais na área de educação. A entidade estima que daqui a 10 anos, aproximadamente, o País irá sofrer com a escassez de docentes, fato que já se observa, em Pernambuco, nas disciplinas de Física, Química, Matemática e Biologia. Os baixos salários são, segundo a CNTE, uma das principais justificativas para o desinteresse dos jovens.

“Pensava em ser advogada, mas mudei de idéia e comecei o Magistério. Os professores precisam ser mais valorizados e qualificados. Também é importante pagar melhores salários, mas quem escolhe essa profissão sabe que não se ganha bem”, afirma a aluna do 3º ano de Magistério da Escola Estadual Sylvio Rabelo, Cláudia Ribeiro, 20.

Notícias recentes

Assine nossa newsletter