Educação é uma das principais portas de saída do Bolsa-Família, diz artigo

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Em artigo, a socióloga Maria Alice Setúbal e a psicóloga Thaís Garrafa afirmam que, embora o trabalho seja condição fundamental para a superação da pobreza e para que beneficiários da Bolsa Família ganhem autonomia, sozinho ele não consegue abarcar a problemática das famílias integrantes do programa Segundo as especialistas, a diversidade de circunstâncias complexas e opressivas experimentadas no dia-a-dia, como a violência e a falta de infra-estrutura, gera situações de extrema vulnerabilidade psíquica a crianças, jovens e adultos moradores dos territórios mais pobres, especialmente nas grandes cidades.

Nesse sentido,.ao lado do trabalho, a educação se configura como uma das portas de saída do programa. “A extensão da bolsa a famílias com jovens traz nova responsabilidade para as políticas públicas que visam à permanência desses alunos na escola. Infelizmente, ainda estamos muito distantes de alcançar um mínimo de eqüidade: apenas 56,2% dos jovens até 16 anos conclui o ensino fundamental e somente 37,9% dos jovens até 19 anos conclui o ensino médio”, analisam.

Para intervir nesse quadro, de acordo com as autoras, é preciso reconhecer o desamparo da escola diante desse contexto complexo. Isso porque, atualmente, os estabelecimentos de ensino atribuem a evasão escolar a situações externas – como o alcoolismo e a violência doméstica. De acordo com elas, embora essas sejam sim, causas de problemas, a escola deve estar preparada para lidar com isso. “Uma educação de qualidade para todos só poderá ser construída a partir do investimento público na capacitação dos educadores em relação a essa problemática social, ao lado de iniciativas que promovam a abertura da escola à comunidade”.

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