A educação ocupa o centro dos debates em escolas, universidades e instituições de pesquisa de todo o país. Neste ano, a Fundação Roberto Marinho, o Grupo Gerdau e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) vão premiar trabalhos sobre o tema “Educação para Reduzir as Desigualdades Sociais”, na 23ª edição do Prêmio Jovem Cientista. Neste ano, as inscrições ficam abertas até o dia 8 de agosto. De acordo com Melissa Ilha Martins, coordenadora de projetos da Fundação Roberto Marinho (FRM), o objetivo é descobrir no cenário acadêmico do Brasil alternativas e sugestões para políticas públicas na área educacional. “Escolhemos esse tema pois acreditamos que através da educação existe a possibilidade de diminuir a violência nas escolas, a violência nas ruas. As pessoas mais carentes acabam tendo menos oportunidades e muitas acabam se marginalizando. Temas como inclusão digital ou educação para a conservação de energia podem ser trabalhados e contribuir para melhorar nossa sociedade”, explica.
O prêmio é concedido a estudantes de ensino médio, de cursos de graduação e de pós-graduação, a pesquisadores reconhecidos no meio acadêmico e a escolas de ensino médio e universidades. Os vencedores ganham bolsas para dar prosseguimento aos estudos e às pesquisas. As instituições recebem recursos para o aprimoramento das condições de ensino. E o Presidente da República prestigia a cerimônia, conduzindo a premiação, realizada em Brasília. Para participar, o trabalho não precisa ser recente. Na realidade, informa Melissa Martins, não existe um prazo definido. Por isso, trabalhos que já tenham sido desenvolvidos, como monografias de conclusão de cursos de graduação e teses de mestrado e de doutorado que se enquadrem em alguma das 16 linhas de pesquisa podem concorrer.
“No ensino médio o trabalho é uma redação de três páginas. Mas, como os trabalhos das demais categorias são mais complexos, as pesquisas de graduação, mestrado e doutorado já devem estar prontas. Na realidade, não existe uma limitação de tempo. As pesquisas podem ter sido elaboradas há dez anos, por exemplo. Trabalhamos para as que instituições de ensino incentivem seus alunos a participar”, observa a coordenadora do Prêmio Jovem Cientista. No universo da educação, podem ser inscritos trabalhos sobre a popularização da Ciência, Tecnologia e Inovação, a superação da violência, a educação para a redução do consumo de energia, inclusão social e digital, educação a distância, educação e saúde e meio ambiente, entre outros. “Cadeiras de Informática, Pedagogia, Letras, Antropologia e Sociologia podem contribuir bastante. O tema sobre educação abre um leque muito grande de possibilidades. Há também Centros de Pesquisa e Fundações desenvolvendo trabalhos voltados para o setor educacional. Mesmo pesquisadores de áreas Biológicas e Exatas podem participar se fizerem trabalhos envolvendo a educação”, acrescenta Melissa Martins. No ano passado, o prêmio recebeu 1.751 inscrições de todo o país, sendo que 268 na categoria graduado; 128 na categoria estudante do ensino superior e 1.355 na categoria estudante do ensino médio. Criado em 1981, com o objetivo de incentivar a pesquisa no Brasil, o Prêmio Jovem Cientista é considerado pela comunidade científica uma das mais importantes premiações do gênero na América Latina. Os temas buscam soluções para problemas da sociedade brasileira. Entre os assuntos abordados em anos anteriores estão “Qualidade dos alimentos e saúde do homem”, “Reciclagem de rejeitos industriais”, “Saúde da população e controle de endemias”, “Oceanos: fonte de alimentos” e “Saúde da População – controle da infecção hospitalar”.
Destaque para os professores – Os professores desempenham um papel central no Prêmio Jovem Cientista. Segundo Melissa Martins, são eles os principais incentivadores dos participantes, principalmente dos estudantes de ensino médio. Por isso, a cada ano, um kit especial é preparado pela Fundação Roberto Marinho e enviado às escolas.
“Nós encaminhamos material de apoio e tentamos estimular a escola como um todo. Para o ensino médio, produzimos um kit com todo o conteúdo abordado, um caderno com roteiro de trabalho e fichas com sugestões de atividades. Os professores podem solicitá-lo à Fundação Roberto Marinho. Isso é feito gratuitamente. Esse trabalho acaba se tornando um tipo de capacitação dos docentes, que trazem a metodologia da pesquisa para sala de aula. E depois, nosso material fica na biblioteca das escolas, podendo ser usado em outras atividades”, salienta a coordenadora de projetos da Fundação. A participação dos professores é reconhecida na hora da premiação, que também contempla os orientadores. “O professor é também um motivador. Por isso, premiamos tanto nas categorias do ensino médio como do ensino superior, o orientador. O professor é um agente fundamental nesse processo”, observa Melissa Martins.


