Além de mais atento às aulas, o aluno do curso noturno costuma reunir outras características que o diferenciam dos colegas do diurno. Idade um pouco mais avançada, interesses distintos e nível de renda da família estão entre as principais. “Antigamente, estudava à noite o aluno que era obrigado a trabalhar, mas isso vem mudando, por causa da busca do estágio e do contato mais rápido com o mercado de trabalho”, afirma Bader Sawaia, vice-reitora acadêmica da PUC-SP.
Mesmo com um novo perfil, Sawaia vê dois perfis distintos entre alunos da noite e do dia. Ela conta que o estudante do noturno é mais independente em relação à família, costuma ter uma renda um pouco mais baixa que os do diurno e tenta aproveitar mais a aula. Já o colega do dia é mais estudioso no “sentido clássico”, vive mais a vida acadêmica -fazendo monitorias e participando de projetos de iniciação científica. Essa diferença também é sentida pelos alunos.
A estudante Paula da Fonseca, 25, do quinto ano de psicologia da PUC, do período tarde/noite, tem uma visão bem crítica a respeito da maioria dos colegas do curso do dia. “Quem estuda de manhã costuma ser mais infantil e não pensa em trabalhar”, diz. Thiago Guimarães, 22, do segundo ano de administração na UnB, concorda que o perfil é mesmo diferente, mas não vê os colegas do diurno como infantilizados. “De noite é um pessoal mais sério, mas não diria que é infantil.” (JN)


