Professores sem instrumentos pedagógicos nas salas de aula

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Genilson de Sena Monteiro, 10, acorda por voltas das 5 horas da manhã e às 6 horas já está na estrada com o irmão Gerson, 14, esperando o transporte escolar que vai levá-los à Escola Municipal Raul Barbosa, no distrito de Itapeim, em Beberibe. A escola fica a cerca de 20 quilômetros de distância da localidade onde os meninos moram, Lagoa Achada, e o percurso é feito em carro que tem tração porque a estrada é carroçável.

Na casa de Genilson não tem energia elétrica. “Eu brinco de pega e jogo futebol e só assisto à televisão quando vou na casa da minha madrinha”, ressalta. O menino diz que nunca viu um computador, mas sabe que é “muito legal.” Na escola, também não tem oportunidade, pois o único que tinha era usado para trabalhos da secretaria e, mesmo assim, agora está quebrado.

Filhos de agricultor, Genilson e o irmão Gerson só têm acesso à leitura e a filmes no colégio. Lioneia dos Santos, 10, que mora na localidade de Córrego do Moreira I, também em Beberibe, tem mais sorte e conhece um pouco do mais do “mundo” por meio da tevê. “Meu sonho é ter um computador com Internet. Minha prima tem um.” Histórias como dos irmãos Genilson e Gerson, de Lioneia, são comuns entre alunos de escolas municipais do Ceará, principalmente, das localizadas na zona rural. Sandra Mara, professora há nove anos, observa que o sistema público brasileiro não dá condições para uma boa aprendizagem e lamenta a carência de recursos pedagógicos. “Temos o giz, a criatividade e a boa vontade para ensinar.”

Sandra, que ensina na Escola Municipal Raul Barbosa, lembra que trabalha com crianças de baixo poder aquisitivo, que não têm televisão em casa, computador conectado à Internet e muitos fazem a primeira alimentação na escola. As instalações físicas do prédio estão comprometidas e, após o desabamento do telhado do ginásio da Escola Municipal (EM) José Bessa, no distrito de Morro Branco, na última quarta-feira, 17, a Raul Barbosa foi interditada e as aulas suspensas ontem.

A professora diz que não há problema com o material didático que é fornecido para todos alunos, mas o ideal seria dispor de mais livros paradidáticos. Para tornar as aulas mais atrativas, ela complementa com a exibição de vídeos educativos existentes na escola, trabalha a leitura e utiliza cartazes para falar de temas como saúde e qualidade de vida.

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