No discurso para uma turma de adolescentes, o assunto foi o mesmo que permeia bate-papos nos corredores escolares. A diferença é que o interlocutor, por conta de uma paralisia cerebral, tinha dificuldades em pronunciar as palavras. As incertezas, a insegurança, o medo do futuro e de levar um fora eram comuns. Ontem, alunos do Colégio Estadual Ministro Aliomar Baleeiro, em Pernambués, tiveram uma aula especial. Puderam conhecer que diferenças são apenas aparentes.
As palavras do servidor Fausto Joaquim, funcionário da Coordenadoria Municipal de Apoio à Pessoa com Deficiência (Coap), foram pronunciadas com esforço e exigiram atenção dos estudantes. “A falta de informação era tamanha. Me incutiram tanto a idéia de inferioridade, que não tive coragem de dizer à primeira garota que gostei que a amava”, contou, ao lado do universitário Yuri Brito, 26 anos, portador de paralisia cerebral. A história de superação de Brito foi contada por sua mãe, Maria Cristina Brito, presidente da Associação Baiana de Equoterapia.
Os alunos puderam conhecer que o termo paralisia cerebral é utilizado para descrever uma condição física, que provoca inabilidade, dificuldade ou descontrole de músculos e da coordenação motora. Freqüentemente, ocorre em crianças antes ou logo após o parto, e quase sempre é resultado da falta de oxigenação do cérebro. A iniciativa integrou uma série de ações que culminam hoje, no Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Um ato público na Praça Municipal, às 16h, pretende chamar a atenção da sociedade para a inclusão, de fato, das pessoas com deficiência.
Ontem, outras escolas da rede estadual de ensino receberam atividades para debater a inclusão das pessoas com deficiência. “Estamos com uma programação desde o início da semana.
Palestras sobre acessibilidade, exposição de desenhos tamáticos feitos pelo cartunista Ricardo Ferraz (sobre o cotidiano das pessoas com deficiência). Agora, estamos nas escolas, levando a importância da educação no trabalho de inclusão”, explicou a coordenadora da Coap, Zenira Rebouças. O projeto aconteceu nos colégios estaduais Rafael Serravale (Pituba) e Vítor Soares (Ribeira).


