Nascer e viver com dignidade nos 26 Estados do País e no Distrito Federal está cada dia mais difícil. O 3º Relatório Nacional sobre Direitos Humanos no Brasil aponta que aumentaram as chances de o brasileiro ter os direitos violados desde o nascimento. O documento, divulgado ontem, foi organizado pelo Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP) e pela Comissão Teotônio Vilela. Os dados, que levam em conta o período de 2002 a 2005, revelam amplos abusos em diferentes grupos em todas as fases da vida. Começa ao nascer, abrange a criança, o jovem, o adulto e o idoso, além de minorias, como índios e negros.
Dados – Segundo o estudo, de 2000 a 2004, os assassinatos contra jovens cresceram de 26,71 para 27,01 por grupo de 100 mil habitantes. O documento destaca os dados colhidos em São Paulo e Rio de Janeiro, dois dos estados mais violentos do País. Em quatro anos – de 2002 a 2005 – só nessas duas cidades morreram 6,9 mil civis em ações policiais. Os jovens são as maiores vítimas. De acordo com o relatório, entre os anos de 2000 e 2004, o maior índice de homicídios abrangeu a faixa etária de 15 a 24 anos.
Trabalho Infantil – A pesquisa revela que o trabalho infantil voltou a crescer no País depois de registrar queda por anos, até 2000. Em 1995, 18,7% das crianças entre 10 e 14 anos trabalhavam. O índice caiu muito, para 6,6%, em 2000, mas voltou a crescer. Em 2004, 10,1% das crianças brasileiras estavam na mesma situação – o crescimento foi constatado em todas as cinco regiões do País. A região Nordeste foi a que apresentou o pior índice de ocorrências de trabalho infantil em todo o período analisado.
(Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo, Andi, 16/03/2007)


