Censo escolar avalia aprendizado de 220 mil alunos no Ceará

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Aspectos pedagógicos e sociais começaram a ser coletados, por meio da Prova Brasil, que no Ceará será aplicada, até o dia 25, em 220 mil estudantes da 4ª e da 8ª séries do Ensino Fundamental. O processo acontece em todo o País, abrangendo 5,2 milhões de alunos. A idéia é que, com os dados de caráter censitário, cada escola, município e Estado tenham conhecimento do nível em que seus alunos estão em relação às disciplinas de Matemática e Língua Portuguesa. A partir daí, serão formuladas políticas públicas específicas para combater as deficiências já antecipadas em pesquisas anteriores de amostragem. As provas seguem um cronograma de aplicação, por escola.

No Estado, os 104 mil alunos da 4ª série e os 116 mil da 8ª estão divididos entre 7.000 turmas. Já em Fortaleza são 1.800 turmas e cerca de 60 mil estudantes participando. Cada aluno responde a um questionário socioeconômico relacionado à família, à comunidade. Na 4ª série, são 20 questões de cada disciplina, e na 8ª são 24. “Essas séries foram escolhidas porque são conclusivas de uma etapa e de um conjunto de competências. Portanto, a avaliação não será só da 4ª e da 8ª”, explica o coordenador na Secretaria da Educação Básica do Estado do Ceará (Seduc) no Prova Brasil, Aléssio Costa Lima. Ele informa que, com as respostas, uma série de fatores escolares e extra-escolares serão associados à aprendizagem do aluno.

As provas foram preparadas pela Fundação Cesgranrio, do Rio de Janeiro, que ganhou licitação nacional. É para lá que a Seduc vai encaminhar os resultados locais, para serem feitos relatórios sobre cada escola, município e sobre todo o Estado. Na opinião de Aléssio Costa Lima, que ontem de manhã acompanhou à aplicação das provas na Cidade 2000, na Escola de Ensino Fundamental e Médio Arquiteto Rogério Fróes, esse processo é o primeiro passo para se conhecer a situação educacional brasileira, a fim de se traçarem políticas públicas que combatam o analfabetismo escolar. Essa pesquisa deve ser mais precisa do que o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Básico (Saeb), realizado a cada dois anos, porque não é por amostragem, é censitária. “A maior diferença é que as informações serão por unidade escolar, então os gestores também poderão ajudar a melhorar o quadro”, diz, acrescentando que, nas pesquisas anteriores as escolas não se reconheciam. Aléssio Lima ressalta que o resultado não deve culminar com qualquer ato punitivo ou premiador. “O objetivo não é intervir, mas orientar ações e políticas de governo”, diferencia. O resultado deve sair em meados de abril de 2006.

Na opinião da diretora da Escola Rogério Fróes, Flora Teles, o resultado vai mostrar uma leitura da realidade e, a partir daí, serão traçadas estratégias locais de combate às carências. Mas na Rogério Fróes, esse enfrentamento já começou. Nesta semana será enviado para a Seduc um projeto com duas idéias que envolvem Matemática e Língua Portuguesa. A proposta é criar um laboratório de Matemática, onde os alunos vivenciam a disciplina na prática. Em relação ao Português, a proposta é trabalhar a literatura de cordel como incentivo à leitura. 

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