Boletim da Campanha Nacional pelo Direito à Educação
22 de dezembro de 2004
A Campanha Nacional pelo Direito à Educação quer efetivar os direitos educacionais garantidos por lei, por meio de ampla mobilização social, para que todo cidadão e cidadã brasileiros tenham acesso a uma escola pública de qualidade.
Nacional
Dados do Mapa das Crianças, Jovens e Adultos fora da Escola revelam:
48% gostariam de voltar a estudar
A Campanha Nacional pelo Direito à Educação e o Instituto Paulo Montenegro (ação do Ibope pela educação) divulgaram na semana passada os resultados do Mapa das Crianças, Jovens e Adultos fora da Escola. O Mapa resulta de uma atividade de pesquisa com finalidade educativa que foi desenvolvida em abril por organizações não-governamentais, sindicatos, grupos comunitários e escolas de todo o Brasil.
A atividade fez parte da mobilização “Semana de Ação Global”, promovida no Brasil pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação e que teve como focos a exigência do cumprimento da legislação educacional e a necessidade urgente de mais investimentos na educação pública. Em escala internacional, a Semana foi protagonizada pela Campanha Global pela Educação e mobilizou mais 2 milhões de pessoas. No Brasil, a pesquisa utilizou a metodologia do projeto Nossa Escola Pesquisa sua Opinião (NEPSO), iniciativa do IPM em parceria com a ONG Ação Educativa.
O objetivo do Mapa foi o de identificar as razões que levaram crianças, jovens e adultos que nunca freqüentaram ou não completaram a educação básica a estarem fora da escola. A educação básica compreende as etapas da educação infantil, ensino fundamental e ensino médio e as modalidades educação especial, educação de jovens e adultos, educação indígena e educação profissional.
Mais de 70 mil questionários e dez mil manuais de orientações foram distribuídos nacionalmente. Os resultados do Mapa foram obtidos por meio da tabulação no sistema online do Ibope e análise de 12.604 questionários. A tabulação foi feita por comitês e organizações vinculadas à Campanha e aos pólos do NEPSO. “Mais do que os resultados numéricos, a mobilização foi uma grande oportunidade para que milhares de crianças, jovens e adultos pesquisassem e descobrissem os problemas da educação, de suas comunidades e possíveis caminhos coletivos de transformação da realidade”, lembra Marilse Araújo, coordenadora do NEPSO.
Atividade Educativa – O Mapa não se constitui em pesquisa científica e não possui controle de amostra, já que foram estudantes, educadores, lideranças comunitárias e ativistas que aderiram à mobilização, que aplicaram o questionário em suas localidades. “Mesmo não sendo uma pesquisa científica, os resultados apontam questões urgentes com relação ao acesso ao direito à educação no Brasil que devem ser reconhecidas e enfrentadas pela autoridades públicas e pelo conjunto da sociedade brasileira. Inclusive, esses dados revelam a necessidade de pesquisas científicas que aprofundem o conhecimento das problemáticas abordadas pela mobilização”, enfatiza Patrícia Kalil, do Instituto Paulo Montenegro.
Fundeb – “Neste momento em que o governo federal discute a proposta de Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação), que a Campanha e muitas organizações e redes da sociedade civil cobram dos governos que o novo Fundo nasça com recursos suficientes para cumprir as metas do Plano Nacional de Educação, o Mapa vem mostrar claramente alguns dos grandes desafios concretos e cotidianos que levam a educação de qualidade a ser um direito humano violado para a gigantesca maioria dos brasileiros”, afirma Denise Carreira, coordenadora da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.
Alguns dados
48% dos entrevistados afirmam que gostariam de voltar a estudar. A existência de vaga em escola próxima de casa, algum tipo de apoio financeiro (bolsas escola e trabalho) e a compatibilização de horários do trabalho e de estudo lideram reivindicações para o retorno à educação formal
A grande maioria (87%) dos entrevistados já passaram pelos bancos da escola, e acabaram saindo antes de concluir o ensino básico. Para 39%, o abandono se deu no ciclo básico entre 1ª e 4ª série (39%) e outra parcela significativa saiu da escola entre a 5ª e a 8ª série (29%). Apenas 8% saiu da escola no ensino médio entre 1º e 3º ano e 5% na alfabetização de jovens adultos.
O número dos que abandonaram a escola entre a 1ª e a 4ª série é maior nos que recebem até 1 salário mínimo (43%) e menor nos que recebem mais do que 4 salários (28%). Quanto mais baixa a renda, maior é a dificuldade para a permanência na escola, levando crianças, jovens e adultos a enfrentarem um verdadeiro “funil”.
A maior parte está há mais de seis anos (58%) fora da escola e uma pequena porcentagem (8%) está fora somente há um ano. Quanto à cor das pessoas fora da escola entrevistadas, a porcentagem dos afro-descendentes (pardos + pretos) é de 54%; dos brancos, 38%; indígenas 3% e amarelos 2%. Quanto menor a renda dos entrevistados, maior é a presença de pardos e negros e menor a de brancos.
Quanto ao motivo que levou estas pessoas a largarem a escola, 38% alegaram necessidade de trabalhar, 11% alegou que não gosta da escola e falta de interesse, 8% a distância entre a escola e a casa, 7% por problemas familiares e por dificuldades financeiras e 4% por problemas de saúde e por dificuldade de aprender.
Das pessoas que pararam de estudar (48%) gostariam de voltar e (36%) não gostariam. Questionados sobre o que faria com que voltassem a estudar, 10% alegou a existência de vaga em escola próxima de casa, algum tipo de apoio financeiro (bolsa escola, bolsa trabalho), e conseguir trabalhar e estudar em horários compatíveis, 8% gostariam de ter maior oportunidade profissional com o estudo, 6% gostaria de encontrar escola de ensino supletivo, 3% gostaria de ter o apoio da família e 2% gostariam de se sentir mais acolhidos na escola e ter professores mais qualificados e motivados.
Campanha participa da Consulta Coletiva de ONGs em Beirute
Cerca de 200 representantes de organizações, redes e movimentos ligados à Educação Para todos participaram da Reunião Anual da Consulta Coletiva de ONGs sobre Educação Para Todos (CCONG/EPT), ocorrida em Beirute, Líbano, entre 9 e 11 de dezembro. A Campanha Nacional pelo Direito à Educação foi representada por Salete Valesan, diretora de Relações Institucionais do Instituto Paulo Freire – uma das organizações coordenadoras do Comitê São Paulo da Campanha e integrante do Conselho Internacional do Fórum Mundial de Educação.
O objetivo da reunião foi o de promover a participação das organizações da sociedade civil na formulação, implementação e avaliação de estratégias educativas que contribuem para o fortalecimento das metas EPT, com o enfoque na alfabetização para todos. Um dos resultados mais importantes da reunião, segundo Salete, foi o encaminhamento de questões importantes para o fortalecimento das campanhas nacionais e regionais.
O evento foi organizado paralelamente ao Seminário Internacional para o Fortalecimento das Capacidades de Participação da Sociedade Civil nas políticas de EPT, ocorrido nos dias 7 e 8 de dezembro, e à Consulta na Região Árabe, realizada dia 8. Os representantes avaliaram a participação da sociedade civil no processo EPT, abordaram o fortalecimento das organizações da sociedade civil nas políticas da Educação Para Todos e debateram temas de colaboração entre governo e sociedade civil. Em breve divulgaremos o documento final do evento. (Saiba mais em Provocação).
Novo Procurador assume caso Fundef
No última sexta-feira (dia 17), representantes da direção da Campanha se reuniram com o Procurador da República do Distrito Federal Aldenor Moreira de Sousa, indicado pela Procuradoria Geral da República para dar prosseguimento a medidas judiciais solicitadas pela Campanha em razão da manutenção do descumprimento da lei do Fundef pelo governo Federal. Em abril deste ano, a Campanha entregou uma representação na Procuradoria Geral da República assinada por mais de 20 redes e organizações nacionais sobre o descumprimento da lei.
O Procurador Aldenor havia intimado, na semana anterior à reunião com a Campanha, representantes do Ministério da Fazenda, do Planejamento e da Educação a dar explicações sobre o não-cumprimento da lei em 2004. Segundo o procurador, o governo federal retomou a tese do governo FHC de que o valor implementado atualmente não é ilegal (que a metodologia de cálculo vigente está correta). “Se o governo Lula assumir efetivamente essa tese que tanto o PT combateu, será um gigantesco retrocesso”, afirma Roberto Leão, secretário geral da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), entidade integrante do comitê diretivo da Campanha. Representaram também a Campanha Sirleide Tavares, da Undime (União dos Dirigentes Municipais de Educação) e Denise Carreira, coordenadora geral da Campanha.
Local
Comitê-MG traça estratégia de sensibilização de prefeitos e de secretários
O Fórum Mineiro de Educação infantil, coordenador do Comitê-MG da Campanha, realizou dia 9, sua última reunião para analisar as atividades que o Fórum e o comitê realizaram durante esse ano. A idéia foi preparar os integrantes do Fórum e da Campanha para a sensibilização junto aos prefeitos e secretários municipais de educação para que estes consolidem planos orçamentários factíveis e planos municipais de educação que incluam o atendimento às crianças de zero a seis anos.
A lista de atividades realizadas pelo grupo mineiro durante o ano é extensa: Semana de Ação Global, Seminário Regional Sudeste (MG-ES), Teleconferência Fundeb, lançamento do Comitê Mineiro no 10º Encontro do Fórum Mineiro de Educação Infantil, Instalação de Comitê Regional da Campanha no Fórum de Educação Infantil Centro-Leste, Consulta da Qualidade na Educação Infantil, entre outras.
O que vem por aí, uai! – Além de comemorar as realizações alcançadas em 2004, o comitê também apontou desafios para o ano que chega: aumentar o intervalo de tempo entre a produção e divulgação de materiais; uma comunicação mais eficiente entre os comitês e a volta da circulação regular do jornal mural.
A maior visibilidade da Campanha em várias regiões de Minas, sobretudo acerca do municípios de Belo Horizonte, Lavras, Timóteo, Pará de Minas, Betim, Juiz de Fora e do Vale do Jequitinhonha; a ampliação da interlocução com a Assembléia Legislativa do Estado, especialmente com a Frente Parlamentar dos Direitos da Criança e Adolescente em relação ao Fundeb e aos planos orçamentários do Estado e dos municípios; o fortalecimento das lutas pela Educação Infantil no contexto das lutas pela Educação Básica e a criação do site FMEI, focado nos direitos das crianças de zero a seis anos e com link para o site da Campanha, foram as conquistas destacadas pelo comitê este ano.
“Com as atividades da Campanha, pudemos ter uma interlocução muito maior com as organizações e parlamentares de nosso Estado, o que proporcionou uma maior unidade e força tanto para o FMEI e quanto para o Comitê-MG”, explicou Dinéia Domingues, do FMEI e do comitê mineiro da Campanha.
De Olho em Brasília
Arrecadação do salário educação deverá ampliar
Inspetores do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento de Educação) estão visitando empresas brasileiras como parte da Campanha Volta às Aulas para ampliar a arrecadação do salário educação. O levantamento que vai até janeiro tem como objetivo levantar possíveis débitos com a arrecadação. Até o fim de novembro, já tinham sido identificados cerca de R$ 30 milhões em dívidas, concentrados nos Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.
De acordo com o presidente do FNDE, Henrique Paim Fernandes, com a campanha, de janeiro a outubro deste ano, houve um aumento de 22,8% na arrecadação. A meta do ministério é atingir, até o fim deste mês, uma arrecadação de R$ 5 bilhões. Fernandes explica que dois terços desse valor são repassados a Estados e municípios e o restante é aplicado nos programas do livro didático, da alimentação e do transporte escolares. (Fonte: Diário de Cuiabá/MT)
MEC não preenche 47 mil vagas do ProUni
A primeira fase de inscrições no programa Universidade para Todos (ProUni) terminou com uma sobra de 47.434 bolsas. O Ministério da Educação espera preencher essas vagas na segunda etapa, que começou ontem (21) e será aberta a estudantes que tenham feito o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em 2002 ou 2003.
A primeira fase de seleção terminou na sexta-feira (17) e tinha 244.088 inscritos. O problema é que muitos estudantes tentaram vaga em cursos mais concorridos e acabaram ficando de fora. Enquanto isso, sobraram vagas em outras faculdades. Além disso, o MEC fixou em 45 pontos a nota mínima no Enem 2004 para ingresso no programa, numa escala de zero a cem. Muitos alunos não puderam disputar uma bolsa por causa do baixo desempenho no exame.
As instituições de ensino superior particulares que aderiram ao ProUni ofereceram 112 mil bolsas, sendo 72 mil integrais e 40 mil parciais de 50% do valor das mensalidades. Como 179 mil candidatos não passaram da pré-seleção, sobraram as 47.434 vagas que o ministério tentará preencher de 21 até 31. Os interessados devem inscrever-se pela internet, na página do MEC: www.mec.gov.br/prouni. (Fonte: O Globo/RJ)
ProUni vai atender 850 estudantes indígenas
Cerca de 850 estudantes indígenas matriculados em faculdades e universidades particulares serão beneficiados pelo ProUni (Programa Universidade para Todos), que concede bolsas de estudo integrais e parciais para cursos de graduação em instituições de privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos. Atualmente, a Funai (Fundação Nacional do Índio) é responsável pelo pagamento das mensalidades desses alunos, com gastos anuais de R$ 1 milhão.
O anúncio foi feito durante a solenidade de instalação da Comissão Nacional de Educação Escolar Indígena. No evento, o coordenador geral de Educação Escolar Indígena da Secad, Kleber Gesteira, disse que, por atenderem aos critérios exigidos pelo ProUni – de renda familiar mensal de até um salário mínimo e meio por pessoa, no caso de concessão de bolsas integrais, – os indígenas serão transferidos para o programa. Durante o evento, o ministro Tarso Genro ressaltou que a educação escolar indígena é uma das prioridades do ministério e citou a instalação da comissão como uma das ações mais importantes nesse sentido. (Fonte: O Paraná/PR)
MEC vai distribuir 20 milhões de livros
Os alunos do ensino médio da rede pública vão receber livros didáticos de Português e Matemática a partir de 2006. O FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), do Ministério da Educação, vai comprar cerca de 20 milhões de livros para distribuí-los aos estudantes. A ação faz parte do Programa Nacional de Livros Didáticos do Ensino Médio, que foi implantado neste ano pelo governo federal. Segundo o diretor de Ações Educacionais do FNDE, Daniel Balaban, a meta é distribuir livros de todas as matérias até 2008.
O programa irá atender de forma experimental, a partir de 2005, 1,3 milhão de alunos da primeira série do ensino médio de 5.392 escolas das regiões Norte e Nordeste, que receberão 2,7 milhões de livros. A partir de 2005, os estudantes da rede pública do ensino fundamental terão acesso a dicionários adequados a série em que estão matriculados. Até então, os dicionários distribuídos eram os mesmos para os alunos de 1ª a 8ª série. O programa prevê dois acervos: um para turmas em fase de alfabetização, com crianças de seis a oito anos, e outro para turmas em processo de desenvolvimento da língua escrita. (Fonte: Folha de Londrina/PR)
Lula ressuscita idéia de incluir livro na cesta básica
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressuscitou uma idéia que meses atrás foi enterrada pela Casa Civil. Ao discursar em nome de Lula numa cerimônia ontem (21), no Palácio do Planalto, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), contou à platéia que o presidente havia dito, momentos antes, que tinha a intenção de colocar livros nas cestas básicas distribuídas em todo o País.
Na verdade, a proposta foi feita originalmente em maio de 2003 pelo então ministro da Educação, Cristovam Buarque, e chegou a virar um projeto de lei. Acabou sendo engavetada pela Casa Civil do ministro José Dirceu porque “não seria viável”. Sarney contou a “idéia de Lula” durante cerimônia na qual o presidente sancionou o projeto de lei que dá isenção de impostos às editoras. No programa do Ministério de Educação, preparado por Cristovam, a inclusão do livro na cesta básica era uma das metas.
Em maio de 2003, o então ministro – hoje senador – mandou sua equipe transformá-la em um projeto de lei e enviou à Casa Civil junto com outras 12 medidas que não foram aceitas ou nunca receberam resposta. “Fico contente que adotem coisas que eu disse e provavelmente levaram à minha demissão, como ações de governo. Espero que adotem outras”, disse o senador do PT. (Fonte: O Estado de S.Paulo)
Política de inclusão atenderá crianças de até seis anos
“Educai as crianças e não será necessário castigar os homens”. Com base nesta citação de Pitágoras, um dos maiores filósofos da Europa antiga, a Comissão de Educação Infantil, coordenada pela Secretaria de Educação Básica (SEB/MEC), reuniu-se para consolidar uma política de inclusão para mais de 11 milhões de crianças brasileiras na faixa etária de zero a seis anos de idade, que estão fora do atendimento escolar da Educação Infantil.
A comissão, que é parte integrante do Conpeb (Comitê Nacional de Políticas de Educação Básica), analisou mais de mil emendas recebidas dos Estados e municípios, e selecionou as que irão compor o documento final “Política Nacional de Educação Infantil – pelos Direitos das Crianças de Zero a Seis Anos à Educação Infantil”. (Fonte: Diário do Nordeste)
Giro Brasil
Índios pedem mais vagas e formação de professores
Em sua primeira reunião de trabalho, a CNEEI (Comissão Nacional de Educação Escolar Indígena) indicou ao MEC que tem dois temas urgentes a resolver: a expansão da oferta de vagas de 5ª a 8ª série do ensino fundamental nas aldeias e a abertura de licenciaturas específicas para a formação de professores. De acordo com o coordenador-geral de Educação Escolar Indígena da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad/MEC), Kleber Gesteira, de cada seis alunos indígenas que estão no ensino fundamental, hoje, cinco freqüentam as séries iniciais de 1ª a 4ª. Desses, apenas um consegue vaga para seguir os estudos.
Ao concluir a 4ª série, explica Kleber, a maioria dos estudantes indígenas repete a série na tentativa de conseguir matrícula no ano seguinte, outros abandonam os estudos e alguns vão para as periferias das cidades em busca de vaga.
A ausência de escola nas aldeias – que possa oferecer a segunda fase do ensino fundamental – tem raiz na falta de professores com formação superior para dar aula, diz Kleber, embora existam cerca de quatro mil professores indígenas com o ensino médio completo aguardando apenas uma vaga na educação superior. A sugestão da Comissão é de que o MEC institua programas de apoio às universidades federais para que criem cursos de licenciaturas específicas para estes professores.
(Fonte: Folha de S.Paulo/SP)
BID destina US$ 1 bi a programas sociais
O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) aprovou dia 15 o empréstimo de US$ 1 bilhão para a expansão do Programa Bolsa Família e do Peti (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil). O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, pretende usar os recursos também para informatizar municípios pobres, melhorar o sistema do Cadastro Único e treinar gestores país afora. “O empréstimo do BID vai garantir que sejam cumpridas as metas de expansão do Bolsa Família e do Peti”, disse a secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Social, Márcia Lopes.
A liberação dos recursos depende ainda de aval do Senado. A secretária-executiva espera que o BID comece a desembolsar o dinheiro a partir de março. Do US$ 1 bilhão, US$ 983 milhões servirão para pagar os beneficiários do Bolsa Família e do Peti. (Fonte: O Globo/RJ)
Educador propõe mudanças no ensino brasileiro
Em entrevista à revista Isto é, o educador e professor emérito da Unicamp, Rubem Alves, fala que o problema da escola é que ela não leva em consideração o desejo de aprender das crianças e está respondendo às perguntas que somente os adultos acham importantes. Para ele, a curiosidade investigativa, que leva o aluno a estudar, está longe dos programas escolares. ‘Existe uma expressão terrível na escola: grade curricular. Deve ter sido cunhada por um carcereiro’, diz. Rubem Alves propõe a extinção do vestibular e sugere que o processo seletivo para as universidades aconteça por meio de um sorteio.
Segundo o educador, se na hora do recreio a criança não estiver conversando sobre o que o professor ensinou dentro da sala de aula, fica evidente que ela não está interessada naquilo que se ensina. “Diria que na escola tradicional não se leva em consideração o desejo de aprender da criança”. Para ele, a escola não muda porque as pessoas não estão preparadas para subir ao nível das crianças. “É preciso esquecer as maneiras tradicionais de fazer escola. Hoje, a função do professor é ensinar o aluno a pensar e a descobrir onde pode encontrar a resposta para as perguntas que tem.” (Fonte: Andi/DF)
Municípios paulistas ficam mais pobres, mas ganham escolas
A riqueza dos 645 municípios do Estado de São Paulo diminuiu no período entre 2000 e 2002. Ao mesmo tempo, porém, os indicadores sociais melhoraram. Apesar de mais pobres, os paulistas passaram a dispor de cobertura mais ampla na área da educação infantil e experimentaram queda sensível nas taxas de mortalidade, em todas as faixas etárias. Essas são as principais novidades da edição 2004 do IPRS (Índice Paulista de Responsabilidade Social), divulgada dia 15. Desenvolvido pela Fundação Seade, a pedido da Assembléia Legislativa, o IRPS é uma variação paulista do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), das Nações Unidas. Radiografa as condições de vida em cada município a partir de medições e análises da riqueza, escolaridade e longevidade da população.
Os avanços na área de escolaridade foram considerados importantes. O mais notável foi a educação infantil: a proporção de crianças freqüentando a pré-escola subiu de 59,7% para 75,1%. O mais pífio foi o do ensino médio. O percentual de jovens de 18 e 19 anos com ensino médio completo no Estado variou de 34,7% para 37,7%. “É um número que ainda se encontra muito longe do ideal”, assinala o relatório. (Fonte: O Estado de S. Paulo/SP)
Provocação
Qual a sua avaliação sobre a participação da Campanha na Reunião Anual da Consulta Coletiva de ONGs sobre Educação Para Todos, promovida pela Unesco, em Beirute (Líbano), entre os dias 9 e 11 de dezembro? Houve avanços na construção de uma agenda mais incisiva?
Salete Valesan, diretora de Relações Institucionais do Instituto Paulo Freire, uma das organizações coordenadoras do Comitê São Paulo da Campanha, responde:
“O encontro em Beirute foi de fundamental importância tanto por ter acontecido no Mundo Árabe – região caracterizada pela falta de mobilização social, pela riqueza financeira e pela existência de conflitos -, quanto pelo significativo número de participantes de ONGs, de campanhas e de movimentos engajados na luta da Educação Para Todos. A América Latina esteve representada por 11 países diferentes. Para nós latinos, a interação com a Ásia, África e com o Mundo Árabe foi a oportunidade de construir articulações e estabelecer trocas de experiências.
Além do resultado positivo da reunião que resultou num documento final, as regiões tiveram muitos momentos onde puderam debater e encaminhar questões importantes como o fortalecimento das campanhas nacionais e regionais. Durante a reunião foi realizada a indicação do representante de cada região para o grupo de Educação Para Todos da Unesco. O CEAAL (Conselho de Educação de Adultos da América Latina) continuará por mais dois anos representando a América Latina.
Dois segmentos de desafios foram estabelecidos. Para a Unesco: promover o fortalecimento das ONGs com capacitação e formação permanentes; intensificar a luta da Educação Para Todos resultando cada vez mais em Políticas Públicas; rever a relação da Unesco Paris com as representações nacionais e regionais na questão da Educação Para Todos e na relação com as organizações não-governamentais.
Já para ONGs, campanhas e movimentos, as lições de casa foram: incidir nas políticas públicas locais, nacionais e internacionais; fortalecer as articulações entre as campanhas, redes e movimentos locais, nacionais e internacionais; ampliar o monitoramento dos investimentos em educação; promover o intercâmbio e a troca de experiência. O fortalecimento dentro da representação na Campanha Latino-americana para construir articulações com outras campanhas e redes para estreitar relações com a Unesco, a meu ver, foi um dos maiores ganhos para a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, a qual representei no evento. Isso porque evidenciou o papel da Campanha Nacional como representação política da sociedade civil organizada brasileira em relação à educação.
Agenda
12 a 15 de janeiro
29º Congresso Nacional da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação
Local: Brasília (DF)
Informações: (61) 225-1003
16 a 24 de janeiro
Encontro Latino-Americano de Juventudes
Local: Porto Alegre (RS)
Informações: www.tiglobal.org/jamlatina/
26 a 31 de janeiro
Fórum Social Mundial: Um outro mundo é possível
Local: Porto Alegre (RS)
Informações: www.forumsocialmundial.org.br/home.asp
31 de janeiro a 04 de fevereiro
1º Congresso Mundial de Alfabetização
Local: Havana (Cuba)
Informações: (11) 3231 – 4973 ou astreaventur@terra.com.br
Expediente:
Edição: Thaís Chita
Redação: Thais Iervolino, Thaís Chita e Denise Carreira
Coordenação editorial: Thaís Chita e Denise Carreira
Webdesign: Théo Siqueira
Montagem: Mário Sergio Thomaz e Thais Iervolino


