Aids: nas escolas, prevenção ainda é falha

Picture of undime

undime

Pesquisa mostra que na maioria das cidades iniciativa se reduz a palestras e seminários

Ensinar prevenção à aids nas escolas públicas brasileiras não é mais tabu. Em quase 70% dos municípios, as instituições já têm alguma atividade nesse sentido – ante 19% em 1998. Mas um problema persiste. Na maioria dos casos, as atividades ainda se restringem a palestras e seminários isolados, cujo efeito está longe do ideal. Os dados são de uma pesquisa recém-concluída encomendada pelos Ministérios da Educação e da Saúde e que recebeu informações de 2.138 cidades (38% do total).

Segundo a responsável pelo estudo, a pedagoga Teresinha Pinto, da organização não-governamental Associação de Prevenção e Tratamento da Aids (Apta), somente 334 dos municípios mantêm projetos contínuos, com oficinas pedagógicas e formação de educadores. “Embora o quadro tenha melhorado em relação a 98, não dá para dizer que palestras e seminários sejam um trabalho de educação preventiva.” O ideal, diz Teresinha, é que todos os professores estejam preparados para lidar com o tema em todas as disciplinas.

Para melhorar a qualidade dos projetos, as Secretarias Municipais de Educação não pedem ao MEC mais dinheiro. Pedem, sim, material didático específico e ajuda para formar seus professores. Hoje, mostra o levantamento, os educadores têm de recorrer muitas vezes a postos de saúde e a médicos da cidade para aprender como falar de DST/Aids com seus alunos. Ao contrário do que os pesquisadores imaginavam, a participação de ONGs em projetos de prevenção nas escolas é pífia: foram citados apenas quatro casos.

Apesar das dificuldades, o governo diz que o trabalho das escolas é fundamental. “A escola é a instituição que mais tem feito pela prevenção à aids”, diz o diretor do Programa Nacional de DST/Aids, Alexandre Grangeiro. “O desafio é transformar as atividades dos professores em algo permanente e transversal (que passe por todas as disciplinas).” Há no Brasil 277.141 pessoas com aids. O total de infectados pode chegar a 600 mil. Na faixa de 13 a 19 anos, as meninas são seis vezes mais infectadas que os meninos.

Notícias recentes

Assine nossa newsletter