Implantado desde 1999 em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, o programa Escola Ativa chega a seu quarto ano de expansão autônoma, etapa adotada desde 2001, período em que o Fundo de Desenvolvimento da Escola (Fundescola/MEC) deixou a gerência do projeto a cargo da secretaria municipal de Educação. Em 2004, o Escola Ativa – programa do Fundescola voltado para a gestão e organização de classes multisseriadas – está presente em oito das 14 escolas na zona rural do município.
Em Campo Grande, o número de alunos atendidos pelo projeto aumenta a cada ano letivo. Em 1999, eram 171 estudantes em cinco escolas. Em 2003, 370, em oito escolas. Com o sucesso obtido nos cinco primeiros colégios e o aumento da demanda pelas classes multisseriadas na zona rural, surgiu a expansão autônoma – que, segundo a secretária de Educação de Campo Grande, Nilene Badeca, usando as estratégias inovadoras do projeto possibilitou a eficiência da educação e a melhoria da aprendizagem. Atualmente, o Escola Ativa permanece em funcionamento nas escolas Oito de Dezembro, Olavo Bilac, Elias Alves Barbosa Filho, Fazenda Engenho, Manoel Gonçalves, Sítio Itaim, Onira Santos Rosa e Aeroporto Santa Maria.
Monitoramento – O monitoramento do trabalho é feito pelos técnicos da secretaria municipal de Educação, que visitam periodicamente as escolas, acompanhando e apoiando as atividades desenvolvidas pelos professores. A secretaria prioriza as atividades pedagógicas e intervém nos instrumentos de avaliação e na aplicação da proposta pedagógica.
O programa geralmente atende escolas multisseriadas (apenas um mestre para alunos de 1ª a 4ª série), misturando alunos de faixa etária, séries e interesses diversos no mesmo espaço. A metodologia possibilita ao professor organizar melhor a sua classe, estimulando o aluno a participar das atividades da escola, utilizando estratégias vivenciais, como cantinho da aprendizagem, livros adaptados para classes multisseriadase e governo estudantil.
“O projeto tem trazido resultados satisfatórios, atendendo aos alunos na aprendizagem, resgatando a cidadania e tornando-os mais compromissados com as atividades escolares”, diz a secretária municipal de Educação de Campo Grande. “Por meio desse projeto, esperamos contribuir para a construção de uma escola democrática, com novos espaços de convivência e de aprendizagem, um local onde o aluno possa aprender a viver e a conviver, a desenvolver habilidades, talentos e novos valores”.
Kits pedagógicos – Na capital do Mato Grosso do Sul, o Fundescola forneceu módulos de aprendizagem em diversas áreas do conhecimento e kits pedagógicos compostos de jogos pedagógicos, fantoches, globos, material dourado e mapas. Cabe à secretaria municipal de Educação o atendimento pedagógico e a assistência com material didático, como livros, revistas, fotocópias de material de apoio, kit do aluno (6 cadernos, 1 caderno de desenho, 3 lápis pretos, 3 borrachas, 1 caixa de lápis de cor, 1 apontador, 1 tubo de cola), uniforme e mochila.
A secretaria também estimula o trabalho dos professores que lecionam na zona rural, pagando um salário superior ao da zona urbana para cobrir os custos com o deslocamento com transporte. Assim, eles recebem um salário mensal de R$ 852,17. Além disso, ficam alojados em apartamentos próximos às escolas e só retornam à capital na sexta-feira à noite.
O Escola Ativa é um projeto do Fundescola criado em 1997 e presente em 4.302 escolas de 384 municípios dos 19 estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A previsão é que a iniciativa chegue, a partir deste ano, a mais 2.970 colégios de 594 cidades. O Fundescola é um programa do MEC desenvolvido em parceria com as secretarias estaduais e municipais de Educação das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e tem como principal objetivo apoiar secretarias na melhoria da qualidade da educação oferecidas nas escolas públicas.


