Responsáveis por mais da metade da população mundial (cerca de 3,2 bilhões de pessoas) e por 70% dos analfabetos do planeta, autoridades dos nove países em desenvolvimento mais populosos do mundo reuniram-se há duas semanas no Cairo, no Egito, para participar da V Conferência Ministerial do E-9 e discutir os avanços e desafios na educação pré-escolar. Desde que o grupo foi criado, em 1993, com ajuda da Organização das Nações Unidas para Educação e Cultura (Unesco), os indicadores de educação pré-escolar melhoraram em todos os países, mas ainda há muito a ser feito.
O E-9 reúne Brasil, Bangladesh, China, Egito, Índia, Indonésia, México, Nigéria e Paquistão, e tem como objetivo garantir educação de qualidade para todos. De acordo com pesquisa realizada pela Unesco, o país do E-9 que mais evoluiu em educação pré-escolar foi a Índia, onde a porcentagem de crianças de 3 a 5 anos matriculadas na escola aumentou de 3,5% em 1900 para 20% em
2000.
Apesar dos avanços, a Índia ainda precisa melhorar muito para se equiparar aos índices do México, país do grupo com melhor resultado. Segundo dados do Banco Mundial, 76% das crianças com mais de 3 anos estão matriculadas na pré-escola. O Brasil é o país que tem o segundo melhor índice: 63%.
Paquistão e Egito estão bem abaixo da média, com 17 e 12%, respectivamente. Bangladesh tem 25%; China, 40%, e Nigéria, 18%. Juntos, os países do E-9 respondem por 53% das crianças de todo o mundo em idade escolar e por mais de 40% das cerca de 104 milhões de crianças do planeta que estão fora da escola. Para o vice-diretor da Unesco para Educação, John Daniel, tão importante quanto a melhora nos indicadores de educação no E-9 é o aumento das relações bilaterais entre os países.
Um dos grandes méritos do E-9 é estimular os países a trabalharem juntos. Ao ver o bom desempenho de um colega, os outros são encorajados e estimulados a melhorar – acredita Daniel, acrescentando que, apesar das realidades bem diferentes, os países buscam objetivos comuns. É preciso diminuir a disparidade entre o número de homens e mulheres na escola até 2005 e, até 2015, fazer com que todas as crianças que se matriculem na escola completem o ensino fundamental, duas das metas estabelecidas no Fórum Mundial de Educação, que aconteceu em Dacar, no Senegal, em 2000. No quesito paridade, o Brasil está bem. Mas a evasão escolar ainda é grande, diz o diretor da Unesco no Brasil, Jorge Werthein.
O Brasil é um dos países do grupo com melhores índices em educação básica, com 96% das crianças matriculadas na 1º série. Mas o abandono ainda é grande. O maior desafio é manter o aluno na escola. Para isso, é preciso aumentar a qualidade. Se a escola é boa, a criança tem prazer em estudar.


