Professor é o principal agente de promoção da diversidade racial

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A redução das desigualdades raciais na educação do País não ocorrerá sem uma atuação marcante dos professores. Eles são o principal agente de promoção da diversidade racial. A afirmação é do professor Valter Roberto Silvério, que há 14 anos integra o núcleo de estudos da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) sobre o assunto. Silvério é um dos coordenadores do livro Educação e Ações Afirmativas: entre a injustiça simbólica e a injustiça econômica, editado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC) e lançado hoje, 3.

De acordo com ele, para que o professor assuma esse papel é necessário que haja um forte investimento na formação. “Os docentes precisam participar de cursos que visam sensibilizá-los para a temática da diversidade e que os estimulem a pesquisar o material já existente sobre o assunto.”  Para Silvério, o professor tem conhecimento da temática, mas falta incentivo e oportunidade para debater. Ele sugere que todo o início do ano letivo haja um programa de capacitação sobre diversidade racial. “O processo educacional é a chave de combate à desigualdade racial.”

Outra ação afirmativa em relação à educação, segundo o professor, é garantir o acesso dos negros à universidade. Mas, além disso, para ele, é necessário implementar políticas que garantam a permanência no curso. “É preciso ter programas de bolsa e acompanhar o aluno durante o curso. É isso que vai assegurar o seu sucesso.”

Debates – Com cerca de 200 páginas, o livro, que também foi organizado pela professora Petronilha Beatriz Gonçalves, da Ufscar, reúne textos de especialistas e militantes do movimento negro. Durante o lançamento, ela ressaltou o pioneirismo do Inep na produção da obra. “Considero este livro um marco no debate sobre ações afirmativas.”

O presidente do Inep, Luiz Araújo, lembrou que o instituto vem incluindo em suas pesquisas e estudos informações sobre a situação do negro na escola como forma de estimular o debate. Ele pretende realizar em 2004 diversas discussões sobre o racismo e a educação. “Devemos produzir propostas para que haja mais ações afirmativas por parte dos gestores das políticas educacionais.”

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