Crianças recebem doação de livros

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Alunos do curso de graduação da Universidade Vale do Acaraú (UVA) confeccionam livros, fantoches e brinquedos com material reciclável para crianças de creche e escola do Jangurussu. O resultado foi uma manhã de fantasia no mundo da literatura, com música, brincadeiras, narração de histórias e uma peça.

O mundo da leitura em forma de teatro, por meio de músicas, de brinquedos e, principalmente, dos livros. O mundo da leitura em uma manhã, para crianças da creche Tia Gagá, vinculada ao Fundo de Apoio Cumunitário (FAC), no Jangurussu. Ontem, alunos do curso de graduação em Educação Infantil da Faculdade Contemporânea, da Universidade Vale do Acaraú (UVA), levaram fantasia e fomentaram sonhos em cerca de 70 meninos e meninas a partir de dois anos de idade que moram e estudam próximos ao antigo aterro sanitário de Fortaleza, desativado em 1998.

”Até hoje, o aterro ainda tem influência sobre eles. Um brinquedo novo causa impacto por estarem tão acostumados a viver dos restos, dos brinquedos quebrados que encontram”, conta a diretora da escola do FAC, Fátima Lemos. Com muito zelo e carinho, os pequenos ganharam livros infantis feitos artesanalmente pelos estudantes e futuros professores. Todos inéditos e únicos, ilustrados manualmente.

“Romeu, o gatinho colorido”, “Dorinha, a sardentinha”, “Rita, não grita” são alguns dos livros. Na última página, um suplemento com sugestões de atividades relacionadas aos enredos. Dicas para serem aplicadas em disciplinas como Ciências, Português e Artes. E uma música para encerrar a aula. ”A biblioteca da escola conta com poucos títulos. É ainda uma forma dos alunos verem que os livros também podem ser feitos por eles”, comenta a professora do curso de Educação Infantil da UVA, Jariza Gondim.

Essa foi a terceira visita do grupo de alunos da Faculdade à creche e escola da FAC. A entidade foi fundada há 21 anos e sobrevive principalmente de doações de empresas e interessados. Segundo Fátima, a creche recebe recursos da Secretaria da Ação Social do Estado (SAS), mas que precisa de mais para poder oferecer o atendimento nos dois turnos e com qualidade.

As carências da comunidade não são poucas. A diretora da escola avalia que as principais são segurança e saúde. De acordo com ela, uma professora voluntária, que por coincidência é auxiliar de enfermagem, tem que ser substituída em sala de aula para atender a demanda das crianças e das mães nos pequenos problemas. ”Aqui é muito difícil o descolcamento para uma unidade de saúde porque o ônibus é muito caro”, comenta Fátima.

A voluntária do FAC e aluna da UVA, Verônica da Silva, acrescenta: ”Aqui uma das grandes carências é a falta de amor. Essa é das coisas mais sérias que falta em suas casas. Essa é uma oportunidade que eles têm de brincar e sentir o cuidado de alguém”. Quem não pode ajudar com recursos, doa atenção podendo ser voluntário nos trabalhos diários do local. Assim como os alunos de Educação Infantil, que foram aplicar conhecimentos, levar experiências e aprender. ”Nós queremos integrar o aluno ao conteúdo e à prática. Uma das grandes dificuldades é formar leitores. Os próprios professores não têm hábitos de leitura”, acrescenta Jariza.

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