O Ministério da Educação, a Secretaria Estadual de Educação do Amazonas, a Comissão Nacional de Professores Indígenas (CNPI) e as organizações indígenas de cinco municípios do estado decidiram quinta-feira, 6, em Manaus, buscar alternativas para oferecer, no início de 2004, ensino médio aos alunos que concluíram o ensino fundamental na região.
De acordo com o coordenador da Educação Escolar Indígena do MEC, Kleber Gesteira, nos municípios de São Gabriel da Cachoeira (Alto Rio Negro), e em Santo Antônio de Içá, São Paulo de Olivença, Tabatinga, Benjamin Constant (Alto Solimões) 1.300 estudantes já terminaram o ensino fundamental e outros 700 terminam agora e não têm escolas para continuar os estudos. “Onde vão estudar e que professores vão assumir as tarefas são os desafios que os governos federal e do Amazonas, em colaboração com os indígenas, vão definir até o final de dezembro”, explica Kleber. O principal problema a ser resolvido é o de recursos humanos, diz o coordenador, “pois professores não se formam em pouco tempo”.
Na divisão de tarefas, coube à CNPI e às organizações indígenas da região mobilizar suas comunidades para discutir a oferta do ensino médio, necessidades e exigências das etnias; a Secretaria Estadual de Educação e o MEC vão verificar como a rede física escolar pode receber os alunos e quais professores vão atendê-los. Para acompanhar esse trabalho, o ministério vai indicar dois assessores, diz o coordenador, sugeridos pelos próprios professores indígenas. Um será da Universidade Federal do Amazonas ou do Instituto Socioambiental, ONG que trabalha no Alto Rio Negro há mais de dez anos; e o outro, da equipe pedagógica da Organização Geral dos Professores Ticuna Bilíngüe (Ogptb), do Alto Solimões.


