No ensino médio, 67% dos estudantes têm desempenho crítico em matemática

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Dos estudantes brasileiros da 3ª série do ensino médio, na disciplina de matemática, 62,6% foram classificados no estágio crítico e outros 4,8% no estágio muito crítico do aprendizado. No total, 67,4% dos alunos têm desempenho muito abaixo daquele desejado. No Brasil, no estágio considerado adequado para essa disciplina estão somente 6% dos alunos. Em Leitura, 42,1% dos alunos deste nível de ensino estão nessas mesmas faixas de desempenho.

No estágio muito crítico, em matemática, os estudantes não conseguem ler e interpretar gráficos e usar as figuras geométricas planas, por exemplo.  No estágio crítico, desenvolvem algumas habilidades elementares de interpretação de problemas, mas estão muito aquém do que é desejado. Em Língua Portuguesa, os alunos no estágio crítico não são leitores competentes. Os dados fazem parte de uma nova leitura do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2001. 

O problema é maior nas regiões Norte e Nordeste, que possuem, respectivamente, 83,1% e 76,4% dos estudantes nos dois piores patamares de desempenho em matemática. Segundo Carlos Henrique Araújo, diretor de Avaliação da Educação Básica do Inep, essa disparidade regional repete-se em todas as séries e disciplinas avaliadas.  “Fica claro, pelos resultados, a necessidade de políticas específicas para o aumento da qualidade na educação nas regiões com os piores indicadores.”

Jovens trabalhadores têm pior desempenho

O questionário aplicado pelo Saeb revela o perfil dos estudantes brasileiros e os fatores associados ao desempenho. Na 3ª série do ensino médio, 43% são homens e 57% mulheres. Em relação à raça, 49% declararam-se brancos, 37% pardos e 6% negros.

Quanto à escolaridade da mãe, 7% nunca estudou, 45% têm até o ensino fundamental completo e 27% até o ensino médio. A escolaridade dos pais é semelhante: 8% nunca estudou, 43% têm até o ensino fundamental e 23% o ensino médio.

Segundo dados do Saeb, a escolaridade dos pais é um dos fatores que influenciam o desempenho dos estudantes na escola. “Isso mostra a importância do investimento na alfabetização de adultos que o Ministério da Educação está realizando”, afirma Luiz Araújo, presidente do Inep.  

No que diz respeito ao acesso à informática, 66% dos jovens afirmaram que não têm computador em casa e 71% deles não dispõem de acesso à Internet. Quanto ao hábito de leitura, 65% disseram que no ano de realização do Saeb tinham lido algum livro de ficção e 83% leram, pelo menos, uma revista de informação geral. 

Entre os jovens deste nível de ensino, 35% afirmaram que, além da escola, têm algum tipo de atividade profissional. Os estudantes que trabalham têm desempenho no estágio crítico em Língua Portuguesa e aqueles que não trabalham têm desempenho no estágio intermediário.

Os dados socioeconômicos demonstram que existem diferenças marcantes na comparação dos alunos com melhor e pior desempenhos. Entre aqueles que foram classificados no estágio muito crítico, 96% estudam em escolas públicas e 84% deles estão fora da idade correta para a série cursada. Entre os jovens com desempenho adequado, 76% estudam em escolas privadas e a taxa de atraso escolar é de 16%.

Saeb 2003 vai até sexta-feira

As provas do Saeb, realizadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC), serão aplicadas até sexta-feira (7/11). Todas as 27 unidades da Federação participam da avaliação. O Saeb verifica o rendimento dos alunos das 4ª e 8ª séries do ensino fundamental e da 3ª série do ensino médio em Matemática e Língua Portuguesa. Responderão à prova e aos questionários socioeconômicos, cerca de 300 mil alunos de 6.270 escolas. Além disso, participarão 17 mil professores e 6.500 diretores.

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