Internet nas escolas

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Os entraves ao desenvolvimento do País não se resumem a questões grandiosas de macroeconomia. Numa nação de escassez de recursos públicos, foi possível acumular R$ 2,3 bilhões nos últimos dois anos por meio do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust). O montante teria como destino a instalação de serviços de Internet em escolas públicas, entre outros estabelecimentos. Por conta de pendengas judiciais envolvendo os editais, o dinheiro ficou imobilizado. Nesta semana, o Tribunal de Contas da União permitiu ao governo federal a elaboração de um decreto com novas regras para tal serviço de telecomunicações. Com a medida, a Internet poderá chegar aos estabelecimentos públicos em 2004.

Imprescindível em gama extensa de atividades profissionais, a ferramenta Internet também é importante como mecanismo de aprendizado. A importância do instrumento é tamanha, ao ponto da expressão “analfabetismo digital” ter se tornado corriqueira. Conforme estudo apresentado pela Fundação Getúlio Vargas e Comitê para a Democratização da Informática em abril passado, apenas 15,5% dos brasileiros têm acesso ao computador. Com certeza, a utilização da Internet é ainda mais reduzida. Em Florianópolis, o acesso ao computador atinge um dos patamares mais elevados do País, 33%, mas mesmo assim um índice baixo.

Como dificuldades econômicas impedem milhões de famílias brasileiras de ter acesso à rede mundial de computadores, a escola seria ambiente propício para amenizar tal lacuna. Não o é. A Internet não passa de ferramenta básica em qualquer nação desenvolvida no mundo, e o fato de o País ter criado um fundo para investimentos no serviço é um indicativo do reconhecimento da importância da rede como instrumento de aprendizado.
 
Só que apenas um em cada quatro estudantes do ensino fundamental (privado e público) têm chance de aprender com auxílio de um computador. Como a proporção é uma média, no ensino público a restrição fica mais aguda. No caso da Internet, o acesso se transforma em privilégio de poucos, mesmo porque não ultrapassa a marca de 350 o número de cidades com acesso de qualidade à rede de computadores. A situação se torna ainda mais lamentável pelo fato de que dinheiro existe para tentar reduzir as lacunas. No entanto, pendengas entre governo e concessionárias impediram a viabilização dos serviços.

O País se deu ao luxo de manter imobilizados bilhões de reais. Sem educação de qualidade, a competitividade do País é cada vez menor. E o caso do Fust é apenas um exemplo do que a capacidade da burocracia e a falta de bom senso podem fazer ao País. No caso de Santa Catarina, a novela da duplicação do trecho Sul da BR-101 é outro exemplo da dificuldade que o próprio País impõe a seu desenvolvimento. Agora, espera­se pelo menos agilidade na tentativa de fornecer o serviço de Internet nas escolas públicas, já que a recuperação do tempo perdido é irreversível.

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