Escola e crime

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A bandidagem faz e acontece no Rio. Lança bombas. Incendeia ônibus. Manda o comércio fechar. Define a circulação de transporte coletivo. Autoriza ou não o funcionamento de escolas. Desafia o Estado. Assusta. Mata. Mantém a população refém do medo.

Quem são os terroristas que põem à prova o poder constituído? A ONG Viva Rio foi atrás da resposta. E descobriu. Os mensageiros do medo são adolescentes. Têm entre 14 e 19 anos. Urbanos e violentos, consomem maconha e cocaína. Sabem que vão morrer cedo. Os mais velhos raramente têm vez na ponta de distribuição das drogas. A morte ou a prisão se encarregam de afastá-los. (Fernandinho Beira-Mar, com 35 anos, serve de exemplo.)

Dado importante: os jovens que causam tantos estragos constituem minoria. São rapazes e moças que abandonaram a escola antes de concluir o ensino fundamental. Segundo a Viva Rio, dos 7 aos 14 anos a meninada mantém-se no sistema educacional. Depois disso, cai fora. E entra no grupo de risco.

O estado tem 700 mil adolescentes entre 15 e 17 anos. Deles, 19% não
completaram a 8ªsérie. Hoje, 133 mil evadidos se tornam presas fáceis do tráfico. O crime lhes dá o que mais querem – dinheiro e poder. A desistência dos estudos denuncia a opção de crescer à margem do sistema. Fazer o caminho de volta é possível. Mas difícil.

A saída reside na prevenção. Todo o esforço deve ser feito pra segurar a garotada entre cadernos e livros. Um passo importante: oferecer escolas bem-equipadas em tempo integral com alimentação, uniforme, material didático e bolsa de estudos.

Outro: dar apoio à família com a inclusão em outros programas sociais. Mais um: ofertar cursos profissionalizantes que dêem qualificação para um futuro empreendedor. Outro ainda: utilizar os espaços públicos para atividades saudáveis. Entre elas, a prática de esportes.

Há no Rio uma geração perdida por omissão ou incompetência do Estado. Sem um grande esforço em educação, o crime continuará ganhando adeptos. Sobretudo porque a ponta do consumo está disposta a pagar caro pela satisfação do vício.

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