Cerca de cem jovens, com idades entre 12 e 25 anos, estudantes do Colégio Estadual Professora Noêmia Rêgo, no bairro de Valéria, assistiram ontem à tarde à exibição da peça A pena e a lei. A maioria deles experimentou a emoção de ir ao teatro pela primeira vez. Um deles foi Uelinton Barbosa da Silva, 19 anos, aluno do primeiro ano.
“Eu ouvia as pessoas comentarem e tinha muita vontade de conhecer. Espero que a peça seja boa e eu entenda a história e a mensagem”, comentou Uelinton antes de ingressar na sala de espetáculos. A expectativa era compartilhada por sua colega Giselly dos Santos Oliveira, 16 anos, estudante do segundo ano. “Tinha muita curiosidade de saber como é um teatro. Esta é uma oportunidade maravilhosa. Quando a gente vê na televisão é diferente, porque está lá dentro, e nós não participamos ao vivo”, compara.
A iniciativa é parte do projeto O Que Cabe no Nosso Palco, uma proposta do Teatro Vila Velha para abrir espaço para experimentos de novos artistas. Aproveitando esta chance, o diretor do espetáculo, Vinicius de Oliveira, montou A pena e a lei, de Ariano Suassuna. A peça está em cartaz de sexta à domingo, desde o dia 4 deste mês, e a entrada custa R$12.
A primeira apresentação para estudantes da rede pública foi na terça-feira (15). Contudo, a meta é prosseguir com essa proposta. Três novas apresentações estão previstas para maio, quando estudantes de escolas públicas irão ao Teatro Vila Velha. E o grupo já planeja levar a peça para o subúrbio e para os bairros pobres, com apresentações em associações de moradores e escolas de bairros como Paripe, Periperi e Liberdade. “Esta é uma peça que tem a ver com o dia a dia e espelha a vida deles”, comenta o diretor.
Assinada por Ariano Suassuna, A pena da lei foi montada pela primeira vez em 1961, pelo grupo Teatro Popular do Nordeste. A peça se divide em três atos, todos tendo como cenário uma cidadezinha do interior. O primeiro, Inconveniência de ter coragem, conta a história de três homens que se apaixonam por uma mesma mulher, a prostituta da cidade. A segunda, O caso no novilho furtado, relata a história de um vaqueiro que é acusado pelo patrão de ter roubado um novilho. Por fim, no último ato, O auto da virtude da Esperança, os personagens morrem e seus atos são julgados. “A base moral é muito forte, por meio da discussão sobre a coragem e a justiça”, menciona Oliveira.


