Educadores não concordam com proposta de Cristovam

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O ministro da Educação, Cristovam Buarque, vai discutir com as universidades a proposta de realização de seus vestibulares apenas com provas de Matemática e Português, terça,15, num encontro do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras. Mesmo sendo uma sugestão, a idéia desagrada a responsáveis pelo ensino médio.

O vice-diretor pedagógico do Colégio Marista de Maceió, Walter Calheiros, se diz surpreso com a sugestão do ministro, mas não sabe informar se seria uma proposta oficial, ou apenas um comentário a ser feito. “Isto envolveria todo um sistema educacional, requerendo uma reflexão de quem trabalha neste sistema. Acho o ministro uma pessoa certa no lugar certo, mas ao se concretizar tal proposta, haveria um abalo em todo ensino médio”, afirma Walter Calheiros.

Ele cita a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que abrange três áreas do conhecimento: ciências da natureza, ciências humanas e linguagem de códigos e imagina como seria prejudicial ao jovem passar a cobrar o que ele não iria necessitar no vestibular. “Seria necessário, antes de tudo, uma reforma legal, a ser discutida com as escolas responsáveis pelo ensino médio”, comenta.

Para o pedagogo, descartar todas as outras disciplinas seria, ainda, uma incoerência com a educação integral. “Não vejo sentido em se reduzir a avaliação do aluno para apenas estas duas disciplinas, não há como contemplar um Plano Nacional de Educação com esta idéia”, diz Walter Calheiros, ao ressaltar que o sistema deveria oportunizar mais vagas nas universidades públicas.

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Para o coordenador do Curso Impacto, professor Luzinário Barbosa Marques, o ministro deveria se preocupar mais com o conteúdo que o aluno vai necessitar em sua vida acadêmica. “Como um aluno da área de saúde, que precisa de Português, mas também do mínimo necessário de conhecimento específico se sairia sem esse conteúdo?”, indaga Luzinário, ao achar mais sensato se pensar num vestibular por áreas específicas de conhecimento.

Para Luzinário, a idéia não deverá prosperar, porque cada universidade tem sua autonomia. Outro ponto negativo da proposta, na sua opinião, é o fato de ser prejudicial à cultura do País, porque o ensino público já não é estimulado e é considerado fraco. “Seria a mesma coisa de o aluno entrar na universidade sem vestibular: só reduziria o nível dos alunos”, diz.

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