Cidadania e educação digital

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Várias organizações sociais vêm trabalhando para ampliar, junto às camadas populares da sociedade, a educação digital do contingente brasileiro de jovens trabalhadores, colocados à margem do mundo da informática. Esse tem sido um valioso trabalho de promoção da cidadania denominado Inclusão Digital.

Pesquisas do MEC indicam que a grande maioria das escolas do Governo não possui salas de computadores para os alunos, nem atividades de aprendizagem com o uso de informática. No Espírito Santo, conforme o INEP, para cada 20 escolas públicas de Ensino Fundamental, menos de uma possui condições pedagógicas e laboratórios para educar os alunos acerca dos conceitos básicos de informática.

A grande parcela populacional dos alunos necessita de políticas e ações que promovam uma educação digital. É preciso que as redes escolares sejam um vetor de Inclusão Digital, reunindo todos os principais níveis e modalidades educacionais na informática. O uso do computador no ambiente educacional deve estar inserido no cotidiano pedagógico da escola. Com isso, as ações educacionais para o conhecimento digital, na educação formal, devem estar contempladas nos conteúdos e modelos curriculares. Cada unidade escolar deve construir o seu projeto político-pedagógico tomando como norte os processos para a Inclusão Digital, atendendo às necessidades da localidade na qual está inserida. Nesse sentido, é muito importante a formação, a partir da escola, de uma rede de facilitadores, atuando como agentes mobilizadores da Inclusão Digital nas  comunidades. Num mundo saturado de signos e códigos lógicos, o acesso aos conhecimentos de informática deve ser uma das partes principais do processo de aprendizagem, devendo ter seguimento por meio de instâncias da educação continuada.

Vale ressaltar que a Inclusão Digital não se trata apenas do ensino de informática nas escolas, nem se limita ao uso simples de computadores. Essa inclusão deve buscar construir a cidadania e a participação social, na perspectiva de uma sociedade mais justa, democrática e fraterna. Assim, sem exclusões, o conhecimento tecnológico, disseminado para a maior parcela da população, poderá proporcionar vida mais digna, com ocupações menos fatigantes, abrindo oportunidades, tornando o trabalho mais lúdico e edificante.

Hélio Rosetti Jr. é professor da Faesa

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