Professores, educadores e representantes de entidades da sociedade civil participam até sexta,21 de março, do I Encontro Regional do Fórum Nacional de Educação, realizado no Bahia Othon Palace, em Ondina. O evento pretende discutir propostas que possam servir como subsídios para a formulação de políticas públicas ligadas à educação. Entre os principais desafios estão a luta pela erradicação do analfabetismo, um salto na qualidade do ensino e uma melhor capacitação do corpo docente.O encontro contará com uma exposição do professor e sociólogo Gey Espinheira.
Durante a abertura do evento,na última quinta José Carlos Almeida da Silva, presidente do Conselho Nacional de Educação e reitor da Universidade Católica do Salvador, anunciou que o número de analfabetos no Brasil – na casa dos 25 milhões – é motivo de vergonha nacional. “O sentido do encontro é justamente recolher experiências de educadores para tentar contribuir para a reversão de quadros como esse, do analfabetismo”, declarou.
O vice-governador do estado e ex-secretário de Educação, Eraldo Tinoco, revelou que a Bahia contabiliza, hoje, 97,4% das crianças com idade entre os 7 e 14 anos freqüentando as escolas. “Essa positiva estatística representa um grande passo em busca da universalização do atendimento escolar e um salto da educação no aspecto quantitativo. O governo, porém, está empenhado em atingir o mesmo patamar no aspecto qualitativo. Uma melhor qualidade do ensino é, sem dúvida, a nossa maior preocupação”, disse.
Tinoco, inclusive, citou o programa Educar para Vencer, desenvolvido pela Secretaria estadual de Educação e voltado para o enriquecimento da relação ensino-aprendizagem e rendimento do alunado. Ele afirmou ainda que a luta por uma educação de qualidade é um dever da sociedade, do estado e da família. “O envolvimento familiar é muito importante para o aluno, assim como o papel das associações de pais e mestres”, completou.
Nadja Valverde Viana, presidente do Conselho Estadual de Educação, compartilha da opinião de que a qualidade do ensino é o maior desafio da educação na Bahia, mas também aponta uma alternativa para minimizar – ou quem sabe extinguir – o fantasma da evasão escolar, problema que aflige estabelecimentos de ensino não só na Bahia, mas em todo o Brasil. Crianças e adolescentes acabam deixando os bancos escolares para poder trabalhar e ajudar no sustento da família, ou até mesmo porque não têm dinheiro suficiente para pagar o transporte que os leva até a escola. “Avançamos bastante nas questões referentes à ampliação do número de vagas e do espaço físico dos colégios, mas enquanto não forem criadas condições para que a criança permaneça na escola, a evasão escolar sempre assustará. A meu ver, a saída mais viável seria a multiplicação de escolas que atendam as crianças em tempo integral, como fazem os colégios Anísio Teixeira e Carneiro Ribeiro, aqui em Salvador”, apontou a presidente.
O encontro também comemora os 160 anos do Conselho Estadual de Educação, o primeiro a ser fundado em todo o Brasil. Ao longo deste ano, o Fórum Nacional de Educação realizará encontros semelhantes em mais quatro capitais brasileiras – Belém (maio), Goiânia (julho), São Paulo (setembro) e Florianópolis (novembro).


