Alfabetização no canteiro de obras civis

Picture of undime

undime

As empresas e sindicatos da Construção Civil foram convidados a participar do esforço de Governo para alfabetizar 20 milhões de brasileiros adultos até o final de 2006 por meio do programa de alfabetização em canteiros de obras. O Ministério da Educação se compromete a oferecer pessoal capacitado para ministrar as aulas e o pagamento de bônus aos trabalhadores que aprenderem a ler.

“Vocês já constroem no Brasil, mas eu vim aqui hoje para convocá-los a construir o Brasil novo”, disse o ministro da Educação, Cristovam Buarque, aos representantes dos sindicatos da construção civil que se reuniram para discutir como participar do programa de erradicação do analfabetismo.

A reunião, coordenada pelos senadores Paulo Octavio (PFL/DF) e Eurípedes Camargo (PT/DF), foi para discutir com os sindicatos a proposta de projeto de lei que institui o Programa de Alfabetização e Cidadania na Empresa (Pace). Pelo projeto, que deverá ser apresentado ao Senado em 30 dias, as empresas de construção civil ficam obrigadas a oferecer aulas de alfabetização aos empregados nos canteiros de obra.

No Distrito Federal, a construtora do senador Paulo Octavio trabalha com alfabetização há 13 anos, montou 70 turmas e já alfabetizou 2.030 operários. Como incentivo, de segunda à quinta-feira, a empresa libera os empregados uma hora mais cedo e eles se comprometem a ficar mais uma hora por dia para assistir as aulas.

Depois de ouvir o relato de experiências com alfabetização de operários da construção civil em vários Estados, do Piauí ao Rio Grande do Sul, o ministro Buarque disse que os empresários já estão “abraçados à causa da erradicação do analfabetismo” e que o Ministério vai celebrar convênios com empresas e sindicatos para, em três anos, abolir o analfabetismo na construção civil.

Na divisão de tarefas, o ministro propôs que o MEC assuma o pagamento dos alfabetizadores e do bônus que todo o adulto alfabetizado vai receber ao redigir sua primeira carta. Caberá às construtoras e sindicatos, entre outras tarefas, oferecer a sala de aula no canteiro de obras e um lanche, além de liberar o operário.

Mas os convênios, explicou o ministro, podem ser mais amplos envolvendo também as secretarias estaduais ou municipais de Educação que poderiam colaborar com material didático, dar assistência pedagógica e certificar os alunos.

Ao final do encontro, após assistir ao vídeo ABC da Educação, Cristovam Buarque disse que gostaria de ter mais três encontros com os parceiros da construção civil: um daqui a seis meses para ver o andamento dos programas; outro daqui a dois anos para avaliar o quanto foi feito; e outro daqui a quatro anos para celebrar o fim de uma tarefa de erradicar o analfabetismo no Brasil.

O Serviço Social da Indústria (Sesi) também quer participar do mutirão da Alfabetização de adultos conduzida pelo MEC. O presidente do Conselho Nacional do Sesi, Jair Meneguelli, disse ao ministro da Educação, Cristovam Buarque, que serviço social tem 10 mil salas de aula espalhadas pelo Brasil e educadores que poderão integrar a campanha nacional de erradicação do analfabetismo nos próximos 48 meses.

A intenção do presidente do Conselho Nacional do Sesi é integrar o Sistema S ao programa do Ministério, oferecendo sua experiência de atendimento ao trabalhador nas diferentes áreas. Na próxima terça-feira, o Conselho do Sesi, composto pelos presidentes das 27 federações, se reúnem em Brasília para discutir propostas de trabalho conjunto e uma parceria MEC/Sesi.

Notícias recentes

Assine nossa newsletter