Como anda a educação no Distrito Federal

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No Distrito Federal, estuda-se mais que no resto do país. A taxa de analfabetismo para menores de 15 anos é a menor de todo o Brasil. Cerca de 5,7% contra 13,6% da média nacional. A capital federal também tem a maior porcentagem de moradores com nível superior. Exatos 11,5% da população. No restante do país, a proporção fica em torno dos 5,8%.

No quesito salário do professor, Brasília é uma verdadeira ilha da fantasia. Em 1997, o salário médio do docente de educação básica era de R$ 1.364,30. No restante do país, ganhava-se, em média, R$ 529. Como se não bastassem tantos dados positivos, somos a unidade da federação que mais investe no aluno, em todos os níveis de ensino. Em tese, cada estudante do ensino fundamental custa R$ 2,2 mil para o governo local. Mais que o triplo da média nacional (confira quadro).

O problema é que grandes investimentos não são o único fator que levam à qualidade do ensino. Tanto que o DF ficou abaixo da média do país nas taxas de evasão escolar (5,1%) e repetência (22,5%). ‘‘Oferecer bons salários aos professores não basta’’, avalia Jussara Vieira, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). ‘‘É preciso investir na gestão democrática das escolas, formação dos professores, infra-estrutura e na abertura dos colégios à comunidade.’’

A renda da família e a formação dos pais também influencia no sucesso escolar do aluno. Quanto maior o salário e o nível de instrução dos responsáveis, melhor o desempenho do estudante. Com o aumento da população pobre no DF, está cada vez mais difícil manter os alunos na sala de aula. Principalmente a partir da quinta série. ‘‘As maiores taxas de evasão acontecem a partir dessa série, principalmente nos cursos noturnos’’, explica Marcelle Carvalho, vice-diretora do Centro de Ensino 1 do Cruzeiro Velho.

Cerca de 90% dos alunos de Marcelle moram na Estrutural. Eles têm direito a transporte escolar gratuito, pois não contam com nenhum colégio perto de casa. No Centro 1 encontram merenda, laboratório de informática, sala de artes e um bom espaço para brincar. Uma realidade bem diferente de onde moram. Mesmo assim, a partir dos 14 anos, meninos e meninas começam a abandonar os estudos. A causa é conhecida de todos os professores: pressão familiar. ‘‘Eles saem daqui para ajudar a sustentar a casa’’, lamenta Marcelle. ‘‘A gente tenta segurá-los oferecendo ensino de qualidade, mas isso nem sempre é suficiente.’’

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