Balanço feito pela Prefeitura de São Paulo e publicado ontem,10 de março, no “Diário Oficial” do Município revelou que em algumas Emeis (escolas municipais de educação infantil) o índice de evasão chega a 37%. Cerca de 140 mil crianças, de 3 a 6 anos, estudam nas Emeis. A Emei Patrícia Galvão, na República (centro), tem o maior índice de evasão. O centro, aliás, é a região recordista.
Segundo especialistas, o fluxo migratório é um dos principais responsáveis pela saída dos estudantes. A precariedade nos serviços prestados pelos colégios também é indicada como um dos possíveis fatores da evasão.
“Muitos dos que moram no centro não têm parada. Isso faz com que as famílias constantemente retirem as crianças das Emeis”, afirmou uma diretora de Emei com alto índice de evasão. Ela pediu para não ser identificada.
“Os maiores responsáveis pela evasão são os pais das crianças, já que elas não têm discernimento para sair da escola”, disse o consultor e ex-secretário da Educação da gestão Marta, Fernando Almeida.
A empregada doméstica Margarida Xavier, 50, aponta ainda o problema de falta de transporte escolar grátis. “Tirei meus netos da Emei Oswaldo Cruz, na Vila Mariana, porque não podia pagar a condução.”
Segundo ela, na escola só há duas peruas, que atendem quem mora mais longe. Seus netos vão a pé até outra Emei, a 4 km de distância.
O estudo também detectou que a repetência entre os estudantes do supletivo é alta. Segundo o balanço, dez escolas que oferecem o curso de supletivo têm índices de reprovação que variam de 36% a 49%.
Outro lado
O chefe de gabinete da Secretaria da Educação, Enéas Soares, afirmou que muitas das crianças que saem das Emeis vão para outras unidades. “Quando uma criança é matriculada, os pais não precisam dizer se ela já estava estudando em outra Emei. Portanto, não se pode afirmar que os índices de evasão representam a quantidade de crianças sem estudo.”
O chefe de gabinete, entretanto, não soube dizer quantas crianças que saem da Emeis efetivamente se matriculam em outras unidades. Segundo ele, a secretaria pretende informatizar as escolas para ter um controle maior do histórico dos alunos.


